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Correio Braziliense

Roberto Campos Neto defende autonomia do BC: controle da inflação

Em conversa com deputados, presidente do Banco Central disse esperar que autonomia seja votada logo após o carnaval


postado em 18/02/2020 16:12

Para Roberto Campos Neto, o BC com autonomia traz um país com inflação baixa sem prejudicar o crescimento econômico(foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press)
Para Roberto Campos Neto, o BC com autonomia traz um país com inflação baixa sem prejudicar o crescimento econômico (foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press)
O projeto de autonomia do Banco Central (BC) pode ajudar o Brasil a manter a inflação controlada e a recuperar a credibilidade internacional. A perspectiva é do presidente do BC, Roberto Campos Neto, que está apresentando os impactos econômicos do projeto para uma série de deputados nesta terça-feira (18/2) a fim de convencer os parlamantares a aprovarem a autonomia logo depois do carnaval.

Campos Neto almoçou com a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e vai se reunir com a bancada do DEM na Câmara dos Deputados nesta tarde. Em apresentação, ele vai listar as vantagens do projeto de autonomia do Banco Central, enviado ao Congresso Nacional no ano passado e que deve ser votado até março pelos deputados, segundo o presidente da Câmara, Rodrigo Maia.

Entre outras coisas, a apresentação diz que é consenso entre os pesquisadores econômicos que a autonomia do BC aumenta em 50% as chances de um país ter inflação baixa sem prejudicar o seu crescimento econômico. "Facilita a obtenção de inflação baixa, menores juros estruturais, menores riscos e maior estabilidade monetária e financeira", afirma o documento.

A apresentação de Campos Neto também lembra que a autonomia vai garantir que o BC atue de maneira técnica, objetiva e imparcial na busca dos objetivos econômicos estabelecidos em lei e das metas fixadas pelo Conselho Monetário Nacional, além de reduzir a instabilidade econômica em períodos de transição de governo. 
A garantia de um trabalho técnico e operacional ainda foi estendida ao Coaf na apresentação, visto que o órgão de fiscalização e combate à lavagem de dinheiro agora é vinculado ao BC.

Tudo isso será possível, segundo os parlamentares que conversaram com Campos Neto, porque a autonomia cria mandatos fixos para o presidente e para os diretores da autoridade monetária. O presidente do BC, por exemplo, será nomeado no meio do mandato do presidente da República para que consiga manter um trabalho técnico contínuo na transição entre os governos. E ele ainda terá que prestar contas da suas atividades ao Senado Federal a cada seis meses.

Relator do projeto na Câmara, o deputado Celso Maldaner (MDB-SC) diz que o projeto tem sido bem recebido pelos demais parlamentares e deve ser votado na volta do carnaval. "A conversa é só para esclarecer algumas dúvidas", afirmou.

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