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Correio Braziliense

Banco Central pretende aprimorar Coaf para fiscalizar corrupção

O presidente do BC, Roberto Campos Neto, explicou planos para o conselho nesta terça-feira (18/2) durante reunião na Câmara dos Deputados


postado em 18/02/2020 18:30

(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
O Banco Central (BC) quer aprimorar a capacidade do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) de analisar dados financeiros suspeitos de corrupção e lavagem de dinheiro. E, para isso, avalia fazer investimentos de tecnologia no órgão de fiscalização que ajuda o Ministério Público e a Receita Federal a identificarem movimentações financeiras atípicas.

"A gente gostaria de melhorar a tecnologia do Coaf. O banco de dados [do Coaf] ainda é vertical, lento, não usa nuvem. A gente gostaria de fazer um projeto de tecnologia para melhorar isso, para o Coaf fazer os relatórios de inteligência financeira de forma mais eficiente e mais rápida", contou o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, em reunião convocada pela bancada do DEM na Câmara dos Deputados nesta terça-feira (18/2).

Campos Neto ainda disse, depois do imbróglio sobre a possível transferência do Coaf do Ministério da Economia para o Ministério da Justiça, coube ao Banco Central a responsabilidade de administrar o Coaf justamente porque o governo entendeu que esse órgão deveria estar em uma autarquia que não sofresse tanta interferência política. "Em algum momento, foi detectado, em conversas com Guedes e Moro, que havia um impasse se o Coaf não estava sendo politizado ao extremo. Discutimos, então, que o Coaf deve estar em um órgão que seja o mais blindado possível em relação ao ciclo político. E que, portanto, ficaria autônomo junto com o BC", relatou Campos Neto, dizendo que o Banco Central tende a ser mais imune ao humor político do governo por ser um órgão de caráter técnico.

E esse caráter imparcial ainda deve ser ampliado pelo projeto de autonomia do BC, que foi apresentado pelo governo no ano passado e deve ser votado pelo Congresso em março. É um projeto que, segundo Campos Neto, garante a imparcialidade do BC e da política monetária brasileira, contribuindo com o crescimento econômico e a credibilidade brasileira, e que também garantirá a autonomia do Coaf. Foi para defender esse projeto, por sinal, que o presidente do BC foi à Câmara hoje. Campos Neto conversou com a bancada do DEM, a bancada do PSD e também a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) sobre os benefícios que o BC pretende alcançar com o projeto de autonomia que hoje aguarda a aprovação dos Deputados.

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