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Correio Braziliense

Governo decide esperar para avaliar crescimento econômico em 2020

Governo Federal estar atento para se certificar do impacto que o coronavírus terá, de fato, na economia mundial e, consequentemente, na economia brasileira


postado em 20/02/2020 13:20 / atualizado em 20/02/2020 13:48

Governo projeta alta de 2,4% para o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2020(foto: José Cruz/Agência Brasil)
Governo projeta alta de 2,4% para o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2020 (foto: José Cruz/Agência Brasil)
O governo federal acredita que ainda não está na hora de rever a sua estimativa de crescimento para a economia brasileira neste ano de 2020 - estimativa que já foi revista para baixo pelo mercado financeiro por conta do impacto que o surto do coronavírus pode ter na economia mundial. 

Hoje, o governo projeta uma alta de 2,4% para o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2020. Os analistas ouvidos pelo Boletim Focus do Banco Central (BC), por sua vez, voltaram a reduzir nesta semana a projeção do mercado financeiro de 2,3% para 2,23%. A redução, que também já foi feita por bancos como o JP Morgan e o UBS, foi motivada pelos riscos externos como o coronavírus e também pela expectativa de que o PIB de 2019, cujo resultado será divulgado em março pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), venha abaixo do 1,2% que era esperado por conta do resultado do Índice de Atividade Econômica (IBC-Br) do BC, que marcou só 0,89% em 2019.

Subsecretário de Política Fiscal do Ministério da Economia, Marco Antônio Cavalcanti, garante, por sua vez, que uma revisão semelhante ainda não está sendo discutida pelo governo. Questionado sobre o assunto nesta quinta-feira (20/2), ele até brincou dizendo que, ao invés de analisar relatórios econômicos e financeiros, os economistas têm analisado boletins médicos, relacionados ao coronavírus, nos últimos dias. 

"É algo difícil de entender, algo novo. Um vírus desconhecido até pouco tempo atrás. Mas alguns indicadores parecem indicar que talvez não seja algo tão grave quanto o esperado. Então, no momento mantemos a expectativa anterior", afirmou Cavalcanti, que admitiu ter visto alguns desses boletins nesta mesma manhã, antes da conversa com os jornalistas.

Ele garantiu, então, que o governo está de olho nessa situação para se certificar do impacto que o coronavírus terá, de fato, na economia mundial e, consequentemente, na economia brasileira. "O tempo todo estamos analisando projeções. Mas, no momento, não há nenhuma reestimativa. [...] Vamos aguardar para ver como evolui ao longo do tempo. No momento, não há como prever, dado que ainda há uma incerteza grande sobre o impacto disso na economia", afirmou.

Cavalcanti admitiu ainda que, hoje, o coronavírus é o principal fator de risco que incide sobre a economia brasileira. Mas justificou a manutenção da projeção de alta de 2,4% do PIB em 2020 afirmando que o governo brasileiro está fazendo o seu "dever de casa" no que tange à recuperação econômica.

"[O coronavírus] é um risco externo que está fora do nosso controle. Mas o que está sendo feito como dever de casa pelo governo nos deixa confiantes de que, do ponto de vista doméstico, teremos condições de manter a recuperação econômica em 2020", afirmou Cavalcanti, citando como lições domésticas que contribuem com o crescimento econômico a continuidade das reformas econômicas e do ajuste fiscal. 

Cavalcanti falou sobre o assunto logo depois de a Receita Federal divulgar o resultado da arrecadação federal em janeiro de 2020 - resultado que, por sinal, colaborou com o discurso otimista do secretário. É que, no primeiro mês deste ano, o governo federal arrecadou R$ 174,991 bilhões em tributos. O resultado foi o maior para o mês de todos os tempos e veio acima das expectativas dos analistas ouvidos pela Secretaria de Política Econômica. "A arrecadação foi 3,5% superior à esperada. Tivemos uma surpresa positiva que foi a maior desde outubro de 2018, quando essa surpresa foi de 3,8%", contou o secretário, dizendo que essa alta na arrecadação reflete, entre outras coisas, a melhora da atividade econômica brasileira.

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