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Correio Braziliense

Petrobras espera assinar acordo este ano e vender refinarias em 2021

Parte do plano de desinvestimentos da estatal é focar apenas na produção de petróleo e deve fechar contrato de compra e venda ainda em 2020, diz presidente da estatal


postado em 20/02/2020 17:15

Segundo diretora executiva de Refino e Gás Natural da Petrobras, não existe fator de utilização nas refinarias(foto: Nelson Almeida/AFP)
Segundo diretora executiva de Refino e Gás Natural da Petrobras, não existe fator de utilização nas refinarias (foto: Nelson Almeida/AFP)
A venda de oito das 13 refinarias da Petrobras é parte do plano de desinvestimentos da companhia e também alvo dos protestos na greve dos petroleiros, que pode ter um desfecho na sexta-feira (21/2), com a audiência de conciliação marcada pelo Tribunal Superior do Trabalho. Segundo o presidente da empresa, Roberto Castello Branco, a expectativa é fechar negócio logo. “Espero assinar acordos de compra e venda este ano e concluir as vendas em 2021”, disse nesta quinta-feira (20/2), durante coletiva de imprensa para comentar os resultados financeiros de 2019.

“As pessoas acusam que a Petrobras trabalha com capacidade de ociosa nas refinarias. Mas em 2013 usou a máxima capacidade e perdeu dinheiro. Se jogava dinheiro fora. A Abreu e Lima custou U$ 20 bilhões para refinar 100 mil barris diários. Torraram US$ 50 bilhões em refinarias que não produzem nada, como o Comperj”, afirmou, criticando as gestões anteriores. 

Anelise Lara, diretora executiva de Refino e Gás Natural da Petrobras, explicou que não existe fator de utilização nas refinarias. “Depende do poder de conversão de cada uma e da demanda do mercado nacional por derivados. Em geral, é por produtos de maior valor agregado, como gasolina, diesel e querosene de aviação”, destacou. 

Segundo ela, nem todas as refinarias podem trabalhar com fator de utilização elevado, porque algumas produziriam derivados valorados no mercado abaixo do petróleo cru, sendo mais vantajoso para a Petrobras exportar óleo. “Temos que avaliar todas as variáveis. É uma decisão não empresarial. Os derivados escuros, o óleo combustível de baixo teor de enxofre e bunker de navio (combustível marítimo) estão bem valorizados no mercado, então é vantajoso produzir mais essas correntes escuras”, explicou. A média de utilização das refinarias ficou em 76% no ano passado e em 77% em 2018. “Agora em janeiro, ultrapassamos 80%”, completou Anelise. 

Castello Branco comparou com as refinarias dos Estados Unidos. “Nos EUA, metade são refinadores independentes e a outra metade são integrados, com produtores de petróleo. Aqueles que só refinam, tem fator de 90%, porque não têm alternativa. Os integrados, o fator é igual ao nosso, entre 70% e 80%”, disse.

Importação

Anelise destacou que no quarto trimestre do ano passado a Petrobras importou uma média 203 mil barris dia, basicamente de gasolina com qualidade Brasil, de baixa octanagem (passível de ser misturada com álcool) e exportou gasolina de alta octanagem. “Por questões dos parâmetros usados. Diesel só importamos para atender paradas de manutenção de algumas refinarias.”

Tanto a diretora quanto o presidente da Petrobras lembraram que existem importadores independentes no Brasil. “Esses terceiros importam diesel e gasolina e atendem parte do mercado. A gente vê isso pelo market share na venda dos nossos derivados”, assinalou Anelise.

Conforme ela, a Petrobras sentiu o impacto do etanol em 2019. “Tem duas questões sobre o etanol: o produto se beneficia de um imposto mais barato em alguns estados e faz com que o preço fique menor; também serve como alternativa para os usineiros dependendo do preço de açúcar no mercado internacional. Eles, como quaisquer empresários, tomam decisões pensando na lucratividade dos seus negócios”, afirmou. Este ano, no entanto, Anelise ressaltou que há uma melhoria na participação da gasolina no mercado, porque o preço do açúcar está vantajoso.

Leilões

A Petrobras deve participar dos próximos leilões de energia, marcados para abril, como parte da estratégia de colocar as termelétricas contratadas no mercado, ou seja, tornar os ativos interessantes para vendê-los. “Nossa estratégia é competir no leilão e ter a garantia de contratos firmes em algumas dessas térmicas”, confirmou Anelise.

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