Economia

Consumo recua e inflação desaba

Correio Braziliense
Correio Braziliense
postado em 26/03/2020 04:06
A desaceleração econômica provocada pelo coronavírus já começou a afetar os índices de preços. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a queda na demanda fez a prévia da inflação de março cair para 0,02%. O número é o menor para o mês desde a criação do Plano Real (1994) e reforça a pressão do mercado por um novo corte da taxa básica de juros (Selic).

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), divulgado ontem, reflete a coleta de preços realizada entre a segunda quinzena de fevereiro e a primeira quinzena de março ; período em que foram registrados os primeiros casos da Covid-19 no país.

Economistas destacam, porém, que esse número mostra apenas o início dos efeitos econômicos da pandemia. Afinal, foi na segunda quinzena de março, período não contabilizado pelo IPCA-15, que medidas restritivas mais duras foram tomadas, como o fechamento do comércio. Por isso, a inflação oficial de março pode vir com um resultado ainda menor,na avaliação do professor de economia da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), Luiz Maia.

Apesar do receio de que esse movimento provoque deflação no Brasil, analistas acreditam que a inflação negativa não deve ser uma realidade já em março. Afinal, a procura por bens essenciais, como alimentos e remédios, subiu neste início de quarentena. ;Isso tende a equilibrar o índice;, afirmou o consultor Tiago Monteiro.

Para Monteiro, a inflação mensal próxima de zero eleva a pressão por um novo corte na taxa básica de juros, a Selic, hoje em 3,75% ao ano, para estimular a demanda. ;Há uma tendência mundial de queda de juros. Se ela continuar, e a inflação projetada continuar em queda, pode haver uma redução da Selic. Até porque, depois dessa pandemia, será preciso estimular as empresas. E, se a inflação estiver abaixo de 3%, uma Selic de 3,25% seria positiva nesse estímulo;, afirmou Monteiro.

De acordo com o IBGE, o IPCA-15 de março foi influenciado, sobretudo, pela queda dos preços dos transportes. No período considerado, as passagens aéreas caíram 16,88%, devido à redução das viagens. Também foi registrado recuo de 0,49% nos preços dos combustíveis, por conta da gasolina (-1,18%) e do diesel (-1,95%).

Além disso, houve uma desaceleração (0,03%) na alimentação fora do domicílio, devido à queda do movimento registrada nos bares e restaurantes nesse período de pandemia. O que puxou a prévia da inflação para cima foram justamente os produtos que têm sido mais procurados pelos brasileiros nesse momento de isolamento social: alimentação para consumo doméstico e produtos farmacêuticos.

A maior contribuição positiva foi do grupo de saúde e de cuidados pessoais, que subiu 0,84% por conta das altas nos itens de higiene pessoal (2,36%) e dos planos de saúde (0,6%). Mas também houve aumento do grupo de alimentação e bebidas (0,35%), porque a alimentação no domicílio subiu 0,49% em março. (MB)


País tem menos investimento externo
Diante da piora nas expectativas de crescimento global devido à pandemia de Covid-19, provocada pelo novo coronavírus, o ingresso de investimento estrangeiro direto (IED) no país caiu 21% em fevereiro, somando US$ 6 bilhões, segundo o Banco Central (BC). No primeiro bimestre, o IED somou US$ 11,6 bilhões, queda de 14% sobre o mesmo período de 2019. De acordo com o BC, o déficit em conta corrente do Brasil com o resto do mundo somou US$ 15,8 bilhões nos dois primeiros meses do ano, com alta de 27,5%. É o pior resultado para o período desde 2015. O principal motivo foi aqueda de 8,6% das exportações.




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