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Correio Braziliense

BC diz que intervenção no câmbio tem atendido ao seu propósito

Campos Neto argumentou que a política de intervenção que foi adotada nas últimas semanas em virtude da alta do dólar tem atendido ao seu propósito de garantir liquidez ao mercado financeiro


postado em 26/03/2020 13:37

(foto: Raphael Ribeiro/BCB)
(foto: Raphael Ribeiro/BCB)
O presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, disse nesta quinta-feira (26/3) que a estratégia de intervenção do BC no câmbio tem sido uma “estratégia de sucesso”. Ele argumentou que a política de intervenção que foi adotada nas últimas semanas em virtude da alta do dólar, que hoje é negociado a R$ 4,99, tem atendido ao propósito de garantir liquidez ao mercado financeiro.

 

"A política de intervenção que temos feito é para garantir a liquidez no mercado e entendemos que a estratégia adotada até aqui tem sido uma estratégia de sucesso”, afirmou Campos Neto, reforçando a ideia adotada pelo BC desde o início da alta do dólar que de “que o câmbio é flutuante e que as medidas macroprudenciais são para garantir a solidez do sistema”. "Temos sido coerentes com nosso discurso nesse sentido", pontuou.

 

O presidente do Banco Central argumentou que esse momento de incertezas, causado pela pandemia do coronavírus, provocou um movimento de “fuga para a qualidade”, em que os investidores correm para depositar seus recursos em títulos considerados mais seguros, como o dólar. Movimento que, lembrou, afeta economias emergentes como a brasileira. 

 

“Tem havido uma grande saída de mercados emergentes. A moeda do Brasil tem se comportado mais ou menos em linha com outras moedas”, afirmou. Ele ainda se antecipou à crítica de que o real se desvalorizou mais que outras moedas emergentes admitindo que, além disso, houve um “período grande em que a moeda se desvalorizou por fatores mais particulares do Brasil”, como a recompra da dívida. 

 

“Temos acompanhado a performance da moeda e entendemos que a moeda tem uma função de hedge. Tem momentos de maior demanda e isso faz com que os preços às vezes sejam disfuncionais. Sempre temos atuado nesse sentido. Então, considero que a nossa atuação tem sido consistente com nosso propósito”, reforçou Campos Neto, dizendo que essa atuação tenta focar nos locais onde há maior demanda por dólar.

 

Destacando que, diante desse entendimento, a “política de intervenção atende ao seu propósito”, o presidente do Banco Central ainda garantiu que a autoridade monetária segue atenta às variações do câmbio e está pronta para fazer novas intervenções caso seja necessário. Ou seja, para atuar com maior intensidade quando houver momentos de disfunção cambial. “Não temos preconceito em usar nenhum tipo de instrumento. Nosso arsenal é amplo”, garantiu.

 

Depois da recente escalada do dólar, que já variou de R$ 4 até R$ 5,19 neste ano, o BC tem feito uma série de leilões extraordinários de swap cambial para equilibrar a oferta da moeda no mercado. Nos momentos mais críticos, o BC também queimou parte das reservas internacionais por conta disso. 

 

Mais recentemente, a autoridade monetária também chegou a anunciar uma linha de swap conjunta com o Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos. Mas Campos Neto já admitiu que espera não ter que usar essa linha com o Fed, que poderia chegar a US$ 60 bilhões. Ele prefere encarar essa parceria, portanto, como “um seguro importante num momento de crise”.

 

Coronavírus

A linha com o Fed foi uma das medidas anunciadas pelo BC no meio da crise provocada pelo coronavírus. Além disso, a autoridade monetária anunciou um pacote que promete injetar R$ 1,2 trilhão de liquidez no sistema, favorecendo, portanto, a oferta de crédito e estabilidade dos bancos nesse momento de crise. E, nesta quinta-feira, Roberto Campos Neto revelou que mais medidas serão anunciadas nesse sentido em breve. As medidas, segundo ele, estão sendo finalizadas pela autoridade monetária e serão anunciadas no momento propício, no momento e que possam gerar o retorno esperado.

 

O presidente do Banco Central falou sobre essas questões na coletiva virtual de divulgação do Relatório Trimestral de Inflação do BC - relatório que zerou a perspectiva de crescimento da economia brasileira e rebaixou a projeção da inflação para 3% em 2020 em virtude da desaceleração econômica provocada pela pandemia do coronavírus.

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