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Correio Braziliense

Em consequência da pandemia, investimento externo cai 25%

Conforme os dados do Relatório Trimestral de Inflação (RTI), a previsão passou de US$ 80 bilhões para US$ 60 bilhões


postado em 27/03/2020 06:00

(foto: Caio Gomez/CB/D.A Press)
(foto: Caio Gomez/CB/D.A Press)
Devido aos efeitos econômicos da pandemia de Covid-19 na economia internacional e ao choque de preços do petróleo, o Banco Central reduziu as perspectivas de entradas líquidas de Investimentos Diretos no País (IDP) em 25%. Conforme os dados do Relatório Trimestral de Inflação (RTI), divulgado ontem, a previsão passou de US$ 80 bilhões para US$ 60 bilhões. Em 2019, o volume foi de US$ 78,6 bilhões.

“A queda do IDP é preocupante porque não se trata de capital especulativo, mas de longo prazo. Essa redução vem ocorrendo porque os investidores não conseguem encontrar oportunidades no país na atual conjuntura, diante da falta de potencial de crescimento do país”, afirmou Fernando Gonçalves, superintendente de Pesquisa Econômica do Itaú Unibanco. O volume de US$ 60 bilhões ainda é um número forte se comparado com outros países emergentes e mostra que o país ainda é atrativo, apesar da redução na projeção.

No relatório do BC, a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2020 passou de 2,2% — como constava no documento publicado em dezembro — para zero. A nova estimativa veio em linha com a nova previsão do Ministério da Economia, mas está acima dos cálculos mais recentes do mercado financeiro, que não descarta retração da economia neste ano. 

O cenário mais recessivo, com piora na confiança com juros básicos no menor patamar da história, deve estimular a saída de investidores do país, na avaliação da economista Juliana Inhasz, professora do Insper. “Com a chegada do coronavírus, o país passou a ficar um local pouco promissor para o investidor externo, porque o risco é elevado e os retornos estão baixos”, comentou.

Vale lembrar que, no acumulado de janeiro até 20 de março, a saída líquida de recursos do país somou US$ 8,6 bilhões, dado 91% superior ao deficit de US$ 4,5 bilhões registrados no fluxo cambial no mesmo período de 2019.

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