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Correio Braziliense

PEC do BC vai propor compra direta de crédito em momentos de crise

O presidente do BC não deu muitos detalhes sobre a PEC que vai apresentar ao Congresso, nem disse quando essa proposta deve ser enviada


postado em 27/03/2020 13:57

(foto: Divulgação/Banco Central)
(foto: Divulgação/Banco Central)
O Banco Central (BC) vai pedir a autorização do Congresso Nacional para tomar medidas mais agressivas de estabilização do mercado de crédito em situações de instabilidade econômica como a atual. Por isso, vai apresentar uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) pedindo a liberação de uma medida que foi adotada recentemente pelo Federal Reserve (Fed), o banco central norte-americano, como uma forma de enfrentamento à crise do coronavírus: a compra direta de crédito.

"Está em elaboração uma Proposta de Emenda à Constituição em que o Banco Central vai poder comprar crédito diretamente, como faz o BC americano e outros BCs mundo afora. [...] Nós vamos propor a PEC. É uma medida muito importante para estabilizar o crédito", anunciou o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, em coletiva de imprensa que foi realizada no Palácio do Planalto e contou com a presença do presidente Jair Bolsonaro nesta sexta-feira (27).

Campos Neto explicou que hoje em dia o Banco Central do Brasil não tem capacidade de fazer essa compra. "O máximo que podemos fazer é injetar liquidez no sistema", afirmou. Na semana passada, por exemplo, a autoridade monetária anunciou um pacote de medidas que prometem injetar R$ 1,2 trilhão de liquidez no sistema financeiro nacional. E hoje o BC ainda confirmou mais uma medida nesse sentido: a possibilidade de os bancos serem financiados pelo BC via letra financeira.

Ele lembrou, contudo, que o BC não tem como garantir que essa liquidez vai chegar na ponta, no consumidor final, em momentos de instabilidade econômica como o atual. Nos últimos dias, por exemplo, muitos empresários têm reclamado do custo e da dificuldade de obter crédito, mesmo depois das medidas de enfrentamento à crise do coronavírus que foram anunciadas pelo governo e pelos bancos. "Como teve uma corrida das empresas para ter o máximo de liquidez, os bancos passaram a precificar a liquidez. Aí o custo de crédito sobe. Nós queremos estabilizar o custo de crédito as empresas que são mais penalizadas nesse momento", afirmou Campos Neto.
 

O presidente do BC não deu muitos detalhes sobre a PEC que vai apresentar ao Congresso, nem disse quando essa proposta deve ser enviada. Porém, frisou que a ideia é permitir a compra direta de crédito apenas em momentos de crise. "A ideia não é que o BC tenha sempre essa autonomia. Mas que, em cenários de crise como o que estamos vivendo, o Banco Central tenha sim essa autonomia, para fazer esse tipo de operação que nós entendemos que faz o mercado de crédito fluir mais facilmente" disse Campos Neto, destacando que "essa é uma medida que tem largo alcance". "O balanço do Banco Central é enorme. Tem mais de R$ 1,5 trilhão. Então, essa é uma medida muito importante para estabilizar o crédito", defendeu.

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