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Correio Braziliense

Mesmo com queda de 5,5% Ibovespa termina a semana em alta

O mercado já começa a avaliar o impacto das medidas de socorro dos governos e o aumento da pandemia do coronavírus, que passa a ter seu epicentro nos Estados Unidos, maior economia do mundo.


postado em 27/03/2020 18:29

(foto: NELSON ALMEIDA/AFP)
(foto: NELSON ALMEIDA/AFP)
Após três dias de ganhos fortes o Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo (B3) teve uma sessão de correção, acompanhando o mal humor dos investidores no exterior e repercutindo a instabilidade política no âmbito doméstico. O mercado já começa a avaliar o impacto das medidas de socorro dos governos e o aumento da pandemia do coronavírus, que passa a ter seu epicentro nos Estados Unidos, maior economia do mundo. 

O índice brasileiro terminou com queda de 5,51% a 73.428 pontos, com volume financeiro de R$ 23,4 bilhões. O recuo não foi capaz de apagar a alta  no acumulado da semana, que foi de 9,48%.  O dólar também refletiu o aumento da escalada de aversão ao risco, a moeda norte-americana que havia recuado nos últimos dias, registrou alta de 2,22%, cotada a R$ 5,10.

O analista da Ativa Investimentos, Ilan Arbetman, ressalta fatores que podem ter se unido ao movimento de correção.“Tivemos algumas questões como os Estados Unidos passando China, Espanha e Itália como principal país com número de casos, nos trazendo a um  novo patamar. Também temos personalidades como o primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, infectado, isso faz a diferença”, disse. Ele também avalia um movimento de realização pelos ganhos ao longo da semana. “Dada a matriz crescente de risco os investidores já pensam nos acontecimentos que podem ocorrer no fim de semana e preferem retirar posições na sexta-feira”, afirmou.

No cenário interno a Câmara dos Deputados aprovou o repasse mensal de R$ 600 a trabalhadores informais e pessoas com deficiência que ainda aguardam na fila de espera do INSS para a concessão do Benefício de Prestação Continuada (BPC). No caso de mulheres provedoras de família, a cota do auxílio emergencial será paga em dobro. Os valores serão pagos durante três meses, podendo ser prorrogados enquanto durar o estado de calamidade pública devido à pandemia do novo coronavírus. Para começar a valer, o texto ainda precisa ser votado pelo Senado Federal. Além da divergência de recomendações entre o presidente, Jair Bolsonaro, e as autoridades de saúde e governos estaduais, alguns governadores avaliam a possibilidade de um lookdown, a restrição de circulação com o uso policial. 

Segundo Arbetman o risco político causa uma depreciação maior no Brasil. “Devemos ficar atentos como será essa votação dos R$ 600 no Senado e a celeridade do processo, ainda existe uma dúvida quanto ao executivo a espera da aprovação desse repasse o mais rápido possível. Também preocupa essa questão da migração do isolamento de horizontal para vertical, temos vários casos no mundo em que não tiveram esse cuidado e pouco tempo depois houve o aumento expressivo de número de mortos. Talvez devesse haver uma menor interferência do executivo em áreas ligadas à saúde”, afirmou.

Para o sócio e head de produtos da Monte Bravo Investimentos, Rodrigo Franchini, passado o foco do coronavírus a instabilidade política deve atrapalhar bastante o país. “Naturalmente daqui alguns meses teremos o foco das atenções nas eleições americanas que devem trazer volatilidade no segundo semestre. No local não temos nada ajustado e sem essa harmonia entre poderes e o engajamento de um discurso único, precisamos deixar de olhar tanto o mercado externo e precisamos crescer. Reverter o máximo possível de perdas desses dois primeiros trimestres que serão negativos. Então a base aliada e um bom caminhar entre os poderes preocupa bastante, a harmonia foi quebrada, mas precisa começar a ser reconstituída a partir de agora”, destacou. 

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