Economia

BNDES elabora pacote de emergência para o setor de transportes

Enquanto isso, as operadoras do sistema aéreo brasileiro vão trabalhar seguindo as novas regras estabelecidas com a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), que firmou acordo com as empresas para manter um mínimo de voos e garantir a conectividade no país

Em até duas semanas, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) deve anunciar um pacote de emergência com linhas especiais para concessionárias de transporte de passageiros e companhias aéreas, fragilizadas em decorrência dos efeitos da pandemia de coronavírus. O presidente da instituição, Gustavo Montezano, informou, ontem, que a proposta está em elaboração. Apesar de não detalhar como será feito o auxílio, ele garantiu que trata o setor de mobilidade como “prioridade”.

Enquanto isso, as operadoras do sistema aéreo brasileiro vão trabalhar seguindo as novas regras estabelecidas com a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), que firmou acordo com as empresas para manter um mínimo de voos e garantir a conectividade no país. A nova malha aérea passa a valer a partir de hoje (veja quadro) e será operada por Gol, Azul e Latam. Além das capitais dos 26 estados, mais o Distrito Federal, outras 19 cidades serão atendidas.

Para o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Freitas, o transporte aéreo é um dos serviços essenciais a ser mantido em pleno funcionamento durante a pandemia. “Por isso, a importância de mantermos os aeroportos em funcionamento e linhas aéreas disponíveis para os estados, mesmo com a demanda reduzida. O Brasil já conta com um deficit na balança comercial do setor de saúde e boa parte da distribuição de remédios, vacinas, insumos e equipamentos hospitalares é feita nos porões da aviação comercial”, disse o ministro.

Os voos estão previstos até o fim de abril, distribuídos em frequências semanais: 723 voos no Sudeste; 153, no Nordeste; 155, no Sul; 135, no Centro-Oeste; e 75, no Norte. A distribuição atende a preocupação do governo de manter uma malha que continue integrando o país, com ajustes para que nenhum estado fique sem, pelo menos, uma ligação aérea.

Com a redução drástica de voos em março, havia o risco de uma paralisação total do serviço. O formato emergencial é 91,61% menor do que o originalmente previsto pelas empresas para o período. Considerando a programação de Gol, Azul e Latam, a queda é de 56% das localidades atendidas, passando de 106 para 46. O número de voos semanais caiu de 14.781 para 1.241.

O diretor presidente da Anac, Juliano Noman, reforçou a importância da medida para a manutenção do transporte aéreo. “A aviação de vários países está parando por completo. O que estamos fazendo no Brasil é porque sabemos que o serviço aéreo é essencial para ajudar a superar esse cenário sem precedentes, permitindo o deslocamento de materiais, profissionais de saúde e das pessoas que ainda precisam viajar”, comentou.