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Correio Braziliense

Desemprego volta a subir no Brasil e alcança 12,3 milhões, diz IBGE

Segundo o instituto, o aumento da desocupação foi puxado pelos setores de construção, administração pública e serviços domésticos


postado em 31/03/2020 09:36 / atualizado em 31/03/2020 09:50

(foto: Agência Brasilia/Tony Winston)
(foto: Agência Brasilia/Tony Winston)
Após dois trimestres consecutivos de queda, o desemprego voltou a subir no Brasil. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) a taxa de desocupação chegou a 11,6% no trimestre móvel encerrado em fevereiro. Isso significa que, quando a crise do coronavírus se abateu sobre a economia brasileira, já havia 12,3 milhões de desempregados no país.

De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) do IBGE, que foi divulgada nesta terça-feira (31/3), e leva em conta o número de pessoas que procuraram emprego nos últimos 30 dias, a massa de trabalhadores que estão desempregados subiu 4% entre dezembro de 2019 e fevereiro deste ano, em relação ao trimestre móvel imediatamente anterior (setembro a novembro de 2019). Naquele trimestre, eram 11,9 milhões de pessoas estavam na fila do desemprego. Isto é, 400 mil a menos. 

E esse aumento do desemprego não foi puxado pelo setor do comércio, que no início do ano normalmente dispensa os trabalhadores temporários que são contratados durante as festas de fim de ano. Segundo o IBGE, a taxa reflete o aumento da desocupação nos setores de construção (-4,4%), administração pública (-2,3%) e serviços domésticos (-2,4%).

“A construção não sustentou o movimento de recuperação que ela vinha apresentando no fim do ano passado. Já a administração pública tem uma sazonalidade, pois ela dispensa pessoas no fim e no início do ano em função de términos nos contratos temporários das prefeituras, nas áreas de educação e saúde, retomando as contratações a partir de março, após a aprovação dos orçamentos municipais. O serviço doméstico está muito ligado ao período de férias das famílias, as dispensas das diaristas, já que muitas famílias viajam, interrompendo a demanda por esse serviço”, avaliou a a analista da Pnad no IBGE, Adriana Beringuy.

Informalidade

 
Já a taxa de informalidade caiu de 41,1% no trimestre de setembro a novembro de 2019 para 40,6% no trimestre encerrado em fevereiro deste ano. Ainda assim, 38 milhões de trabalhadores continuam trabalhando como informais no Brasil.
 

Para Adriana Beringuy, essa redução está relacionada ao aumento das contratações realizadas no final do ano passado, sobretudo no comércio. "A gente ainda vive sob a influência do mês de dezembro, em que tivemos um desempenho muito bom das contratações com carteira trabalho", afirmou, dizendo que essa situação também se reflete em outros números da Pnad.

O número de trabalhadores por conta própria, por exemplo, caiu de 24,6 milhões para 24,5 milhões de pessoas nesse período. E o volume de empregados sem carteira assinada passou de 11,8 milhões para 11,6 milhões de pessoas. Já o rendimento real do trabalhador, que é influenciado positivamente pelo aumento dos empregos formais, cresceu 1,8% nesse período, passando e R$ 2.332 para R$ 2.375.

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