Economia

Dívida pública bruta volta a crescer em fevereiro

Conforme dados do Banco Central, soma do endividamento do governo geral somou R$ 5,11 trilhões, o equivalente a 76,5% do PIB, dado 0,4 ponto percentual acima do mês anterior, de 76,1% do PIB

Rosana Hessel
postado em 31/03/2020 11:22
Conforme dados do Banco Central, soma do endividamento do governo geral somou R$ 5,11 trilhões, o equivalente a 76,5% do PIB, dado 0,4 ponto percentual acima do mês anterior, de 76,1% do PIBComo reflexo da piora das contas públicas do setor público consolidado, que inclui governos federal e regionais e estatais, a dívida pública bruta voltou a crescer em fevereiro pelo segundo mês consecutivo, conforme dados divulgados nesta terça-feira (31/03) pelo Banco Central.

Nem mesmo a queda de 0,5 ponto percentual da taxa básica de juros (Selic) na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), de 4,25% para 3,75% ao ano no mês passado, ajudou a conter o aumento da dívida pública bruta do governo geral, e, daqui para frente, a expectativa é que esse endividamento suba a ladeira.

A dívida pública bruta R$ 5,611 trilhões, o equivalente a 76,5% do Produto Interno Bruto (PIB) no mês passado, registrando um aumento de 0,4 ponto percentual, ou R$ 61 bilhões, sobre janeiro, quando a dívida estava em 76,1% do PIB. Em 2019, o país encerrou o ano com a dívida pública bruta em 75,8% do PIB, registrando a primeira queda desde 2013.

De acordo com dados do BC, cada ponto percentual a menos na significa R$ 29,5 bilhões a menos na dívida bruta e R$ 32,2 bilhões na dívida líquida. Esta última também cresceu, passando de 57,9% do PIB, em janeiro, para 58,3% do PIB.

A tendência, de acordo com analistas, é que a dívida pública siga essa trajetória de crescimento devido ao aumento dos gastos públicos para conter os efeitos da crise que está sendo formada devido à Covid-19, pandemia provocada pelo novo coronavírus. Estimativas Capital Economics, por exemplo, apontam que a dívida bruta poderá chegar a 90% do PIB, devido à demora do governo federal em apoiar os estados nas medidas de confinamento social, com o intuito de reduzir a curva de avanço da pandemia. Bancos estrangeiros e consultorias nacionais não descartam que a dívida chegue a 85% do PIB neste ano.

Rombo crescente


Os dados do Banco Central mostram que o aumento da dívida reflete o aumento do deficit nominal setor público, que ficou em R$ 440,4 bilhões no acumulado em 12 meses até fevereiro, o equivalente a 6% do PIB, voltando a subir pelo segundo mês consecutivo. Em janeiro, esse rombo somou R$ 436 bilhões, ou 5,98% do PIB, na mesma base de comparação.

O resultado nominal do setor público inclui os gastos com juros e o resultado primário do setor público consolidado, que inclui as contas dos governos federal e regionais e de estatais.
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No mês passado, a conta de juros somou R$ 381,9 bilhões, no acumulado em 12 meses, o equivalente a 5,21% do PIB. Enquanto isso, o deficit primário R$ 58,5 bilhões, ou 0,80% do PIB. Pelas estimativas do secretário do Tesouro Nacional, Mansueto Almeida, até dezembro, esse rombo poderá superar R$ 400 bilhões, dependendo da gravidade da crise que está se formando devido ao coronavírus.

De acordo com os dados do BC, em fevereiro, o resultado primário do setor público consolidado ficou negativo em R$ 20,9 bilhões, revertendo o superavit primário de R$ 56,3 bilhões computados no mês anterior. Esse resultado foi puxado pelo rombo de R$ 26,8 bilhões do governo central, que inclui Previdência Social, Tesouro Nacional e Banco Central. Estados e municípios registram superavit de R$ 5,2 bilhões e estatais, de R$ 743 milhões. A conta de juros ficou em R$ 28,4 bilhões no mês passado.

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