Economia

Entidades varejistas reclamam de aumento de juros em mais de 70% no mercado

Em carta enviada ao Banco Central e ao Ministério da Economia cinco associações destacam a dificuldade para o acesso ao crédito mais barato prometido pelas medidas do governo

Rosana Hessel
postado em 31/03/2020 14:51
 (foto: Luis Nova/Esp. CB/D.A Press)
(foto: Luis Nova/Esp. CB/D.A Press)
Em carta enviada ao Banco Central e ao Ministério da Economia cinco associações destacam a dificuldade para o acesso ao crédito mais barato prometido pelas medidas do governoCinco entidades do varejo reclamam que o sistema financeiro vem aumentando as taxas de juros acima de 70%, em alguns casos, nas operações do varejo, como capital de giro, conta garantida, antecipação de recebíveis e outros empréstimos. Esse tipo de prática acontece justamente logo depois de o governo anunciar pacotes para reduzir o custo dos bancos. A percepção de empresários é que, a exemplo do que ocorre na Black Friday, quando lojistas aumentam o preço para depois baixar ;pela metade do dobro;, isso também está ocorrendo nos empréstimos.

A queixa faz parte de uma carta enviada ontem para o Banco Central e para o Ministério da Economia pelas seguintes entidades do varejo: Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce), Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV), Associação Brasileira de Franchising (ABF), Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas (CNDL) e Confederação das Associações Comercial e Empresariais do Brasil (CACB).

De acordo com o presidente da Abrasce, Glauco Humai, os empresários não estão tendo o retorno esperado das medidas que o governo anunciou desde a semana passada para tentar estimular o mercado de crédito em meio à pandemia de Covid-19, provocada pelo novo coronavírus. Empresários estão tendo dificuldade para acessar as linhas de empréstimo prometidas com juros mais baixos. ;Não basta anunciar. É preciso fazer o crédito e a renda chegarem aos pequenos lojistas e ao pequeno empreendedor. Nesse momento de crise, é importante o governo agir, fiscalizar e orientar;, destacou. Ele reforçou que o dinheiro não está chegando ao pequeno e médio empregador. ;É preciso que o governo fique atento para isso e fiscalize mais;, orientou. Segundo o executivo, a sensação é de que há um movimento de aumento para depois haver uma redução quando o acesso for mais prático.

Contramão


Os aumentos nos juros, conforme as entidades apontam na carta, vão na contramão das medidas anunciadas pela autoridade monetária com o intuito de reduzir os juros para o tomador final. O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, anunciou um pacote de até R$ 1,2 trilhão de medidas para elevar a liquidez no mercado de crédito, entre elas, a redução da alíquota do compulsório para depósitos de longo prazo que os bancos precisam deixar no BC, de 25% para 17%, injetando mais R$ 68 bilhões no mercado.

Humai contou que, até mesmo o pacote de R$ 40 bilhões anunciado na última sexta-feira para viabilizar empréstimos mais baratos via os bancos públicos para médias e grandes empresas está longe do acesso das empresas. Ele reclamou que ainda não sequer tem orientações claras de como os financiamentos podem ser acessados pelas empresas em um momento que é preciso agir com mais urgência no socorro às pessoas e empresas com necessidades para sobreviverem.

;Não queremos brigar com os bancos, que são nossos parceiros, mas o governo precisa tomar medidas para viabilizar o acesso ao crédito;, destacou o presidente da Abrasce. Ele reclamou que há uma queixa no mercado de que não há quem queira assumir o risco dessas operações no momento atual da pandemia e crise econômica. ;Essa é a hora de o governo agir mais rápido;, afirmou.

Demora


No documento, as entidades solicitam maior atenção das autoridades a despeito das medidas de injetar liquidez no sistema financeiro nacional. ;Observa-se o aumento expressivo das taxas, com médias superiores a 50% e, alguns casos superiores a 70%, em operações habituais do varejo;, informou o texto encaminhado a Campos Neto e ao ministro da Economia, Paulo Guedes.

Na carta, as entidades destacam que os empregadores estão preocupados e se questionando sobre como conseguirão sustentar a folha de pagamentos e os custos operacionais durante esse período de confinamento e queda na atividade devido à pandemia. ;É preciso oferecer alicerces para sustentação desses negócios e pessoas que dependem destas atividades, com o propósito de buscar garantir crédito para o varejista que está impedido de produzir e que já sente os impactos no negócio. Agilidade nesse momento é fundamental, e, para isso, se faz; , defenderam.

Uma das demandas que constam na carta é uso das redes operadoras de cartão de crédito, viabilizando a concessão via as operadoras, com taxas mais baixas do que as praticadas tradicionalmente para o crédito chegar ao pequeno empresário. As organizações também sugerem a criação de linhas específicas de capital de giro com juros reduzidos para o varejo e o setor de franquias para serem pagas em 60 meses, com carência de 24 meses.
[SAIBAMAIS]
De acordo com a carta, as entidades destacam que os setores de comércio e serviços representam mais de 5 milhões de negócios no país, sendo responsáveis por cerca de 70% do PIB e mais de 26 milhões de empregos diretos (com carteira assinada), são, sem dúvida, ;agentes crítico nesta crise, não só pelo impacto profundo em suas atividades, mas por serem um eixo de sustentação econômica e social para os todos municípios do país;.

Procurados, o Banco Central e a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), não comentaram o assunto. O Ministério da Economia também fez o mesmo e mandou direciona a demanda ao BC.







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