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Correio Braziliense

Ibovespa fecha o mês com queda de 30% e tem pior trimestre da história

O período foi marcado por seis circuit breakers acionados desde que começaram as tensões a nível global com o avanço do vírus.


postado em 31/03/2020 18:11 / atualizado em 31/03/2020 22:16

(foto: NELSON ALMEIDA / AFP)
(foto: NELSON ALMEIDA / AFP)
Com o mercado ainda precificando os impactos econômicos da pandemia do novo coronavírus, o Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo (B3) registrou seu pior desempenho mensal em quase 20 anos, consolidando uma baixa de 29,91% em março. No trimestre, o desempenho foi o pior de toda a história, com retração de 36,86%. O período foi marcado por seis circuit breakers acionados desde que começaram as tensões a nível global com o avanço do vírus. Durante o pregão do último dia do mês, o principal índice acionário da B3 chegou a operar no campo positivo, mas virou para queda seguindo o exterior e terminou com recuo de 2,17%, a 72,385 pontos.

Segundo o economista da BlueMetrix, Renan Silva, a bolsa precificou o pior cenário diante do quadro da pandemia. “O mercado acabou antecipando todo esse movimento. O índice ainda está muito sensível a questão da intensidade da quarentena, quanto tempo isso irá se estender. As maiores baixas foram justamente no setor mais sensível da renda, empresas do setor de turismo, administradoras de shoppings, de educação, o varejo em geral. O que vem equilibrando justamente são os setores essenciais de utilidade pública, como petróleo, gás, energia, telefonia, saneamento, empresas mais resilientes”, avaliou. Segundo o analista o  grande receio no momento é risco de extensão da quarentena e mercado também segue atento ao cabo de guerra no âmbito político.

O dólar comercial registrou mais uma sessão de alta, a moeda norte-americana teve ganhos de 0,23%, cotada a R$ 5,10. No acumulado do mês a alta foi de 15,92%. O câmbio chegou a virar para queda após o Federal Reserve (Fed, Banco Central americano) informar que abriu uma linha de recompra para bancos centrais estrangeiros para apoiar o bom funcionamento dos mercados financeiros, porém já voltou a subir. Nos últimos dias, a autoridade monetária já havia elevado a frequência de leilões de operações de linhas de swap com outros bancos centrais.

Para a  economista-chefe da Reag Investimentos, Simone Pasianotto, o câmbio continua seguindo a movimentação de aversão ao risco, o que deve manter o dólar mais pressionado ainda este ano. “O câmbio veio acompanhado o humor bolsas internacionais, que tiveram bastante volatilidade, mas no geral ainda está muito sensível, às medidas econômicas adotadas pelos países por causa do coronavírus novamente acompanhando essa instabilidade do mercado”, afirmou.  

* Estagiária sob supervisão de Vicente Nunes

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