Economia

Déficit primário será de R$ 419,2 bilhões em 2020, diz governo

O Ministério da Economia já havia admitido que o rombo das contas públicas poderia passar de R$ 400 bilhões neste ano

Marina Barbosa
postado em 02/04/2020 19:18
 (foto: Divulgação/Prefeitura de São José)
(foto: Divulgação/Prefeitura de São José)
O Ministério da Economia já havia admitido que o rombo das contas públicas poderia passar de R$ 400 bilhões neste anoO governo federal ampliou para R$ 419,2 bilhões a projeção do déficit das contas públicas brasileiras neste ano. O rombo representa 5,55% do PIB e cresceu por conta do impacto fiscal das medidas de enfrentamento à crise do coronavírus - medidas que, segundo o governo, já somam R$ 224,6 bilhões, ou seja, 2,97% do PIB.

O Ministério da Economia já havia admitido que o rombo das contas públicas poderia passar de R$ 400 bilhões neste ano, já que o estado de calamidade pública autorizou o governo a não cumprir a meta primária, que previa um déficit de R$ 124,1 bilhões (1,6% do PIB) em 2020, e, assim, gastar mais para combater a crise do coronavírus. A nova projeção oficial para o resultado primário do governo central, contudo, só foi divulgada nesta quinta-feira (02/04) pelo secretário especial da Fazenda, Waldery Rodrigues, em pronunciamento realizado no Palácio do Planalto.

Segundo Waldery, a projeção de R$ 419,2 bilhões considera o déficit de R$ 127 bilhões que já era permitido ao governo, considerando o governo central e também as estatais federais; o valor que o governo precisaria contingenciar neste ano, cerca de 37,6 bilhões; a frustração de arrecadação decorrente da queda da atividade econômica e da redução dos preços internacionais de petróleo, que foi causada pelo coronavírus e soma cerca de R$ 30 bilhões; e o pacote de enfrentamento ao Covid-19, que por enquanto é de R$ 224,6 bilhões.

"É o maior [déficit] da série histórica, mas entendemos que é limitado a 2020, porque a economia se recuperará e as contas fiscais entrarão novamente em uma trajetória de ajuste fiscal tão logo saiamos dessa situação", comentou o secretário da Fazenda. Ele admitiu, contudo, que, como o governo ainda não sabe a extensão da pandemia do Covid-19 e segue preparando medidas para combater essa crise, a previsão para o rombo deste ano ainda pode crescer. "Os números estão sendo revisados sempre", afirmou.

Pacote do Covid-19


[SAIBAMAIS]Segundo o Ministério da Economia, as medidas emergenciais que já foram anunciadas durante a pandemia do Covid-19 terão um impacto fiscal de R$ 224,6 bilhões. Ou seja, 2,97% do PIB. E o maior impacto desse pacote virá do auxílio emergencial de R$ 600 que será pago aos trabalhadores informais nos próximos três meses. Segundo o governo, o chamado coronavoucher vai custar R$ 98 bilhões, cerca de 1,3% do PIB. O segundo maior impacto será do pagamento do seguro desemprego aos trabalhadores que tiverem o salário reduzido durante a pandemia. A estimativa do governo é destinar R$ 51,2 bilhões a esse programa, ou seja, 0,68% do PIB.

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