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Correio Braziliense

Analistas chegam a prever taxa de desemprego em 13,5% no fim de 2020

De acordo com especialistas, a tendência é de um aumento inevitável da taxa de desocupação e no número de desalentados


postado em 03/04/2020 06:00

(foto: Fernando Lopes/CB/D.A Press)
(foto: Fernando Lopes/CB/D.A Press)
Apesar de a Medida Provisória nº 936 permitir a redução de jornada e de salários, com o intuito de reduzir o custo das empresas, as previsões para o desemprego neste ano não são nada animadoras diante da recessão que está se formando na economia global

De acordo com especialistas, a tendência é de um aumento inevitável da taxa de desocupação e no número de desalentados. Mesmo com a edição da MP, o economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini, manteve a previsão de 13,5% para a taxa de desemprego no fim de 2020. “Nossa previsão não vai mudar porque a recessão vai ser forte, e há um volume de informais que vai crescer muito e entrar na conta dos desalentados”, disse.

Em fevereiro, a taxa de desemprego ficou em 11,2% da população economicamente ativa, totalizando 11,9 milhões de pessoas. O ritmo de aumento da desocupação, no entanto, não deverá ser parecido com o dos Estados Unidos, na avaliação da economista Thais Zara, da LCA Consultores. 

“Nos EUA, o mercado de trabalho é diferente e as leis trabalhistas são mais flexíveis do que no Brasil. Se a situação é temporária, não vale a pena demitir devido aos custos. Os pedidos de seguro-desemprego nos EUA aumentaram mais por licença do que por demissões”, destacou. Conforme dados do Departamento do Trabalho norte-americano, os pedidos subiram para 6,65 milhões na última semana, ante 3,3 milhões na anterior.

Recessão

Thais Zara elogiou o esforço do governo para tentar minimizar as demissões, mas lembrou que, devido à recessão, demissões serão inevitáveis, e já estão acontecendo. “O mercado de trabalho não vai passar incólume a essa recessão e, agora, no segundo trimestre, é que o cenário deve ficar pior”, destacou.

O economista Carlos Alberto Ramos, professor da Universidade de Brasília (UnB), lembrou que existem 40 milhões de informais no país e que o aumento de desemprego no Brasil não poderá ser medido, como nos EUA, pelo crescimento dos pedidos de seguro-desemprego. “Muitos trabalhadores autônomos estão sem poder trabalhar e sem renda”, lamentou.  Ele lembrou que assalariado tem um custo fixo para as empresas. “A MP vem no sentido de preservar o vínculo em vez de desligar o funcionário”, completou.

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