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Não adianta o empresário defender a preservação dos empregos e, depois, demitir centenas de funcionários

postado em 03/04/2020 04:32
Não adianta o empresário defender a preservação dos empregos e, depois, demitir centenas de funcionáriosNa crise, cuide da reputação

A crise do coronavírus exige doses elevadas de sacrifício de todos os setores da sociedade. Não adianta o empresário defender a preservação dos empregos e, depois, demitir centenas de funcionários. Não adianta o banco anunciar doações de utensílios hospitalares e, ao mesmo tempo, subir os juros dos empréstimos para os donos de pequenos negócios. Não adianta o pequeno empresário dizer que é hora de ser solidário, mas cortar o salário dos funcionários ;; mesmo captando créditos subsidiados pelo governo. Não adianta a autoridade pública lamentar mortes, mas entrar em embates políticos. Não adianta o cidadão que deveria estar em quarentena manter encontros sociais. ;A crise vai passar, mas algumas reputações ficarão manchadas;, diz Eduardo Tancinksy, consultor especializado em marcas. Warren Buffett, o genial investidor americano, tem uma frase definitiva sobre o assunto: ;São necessários 20 anos para construir uma reputação e apenas cinco minutos para destruí-la.;


Compras com cartões de débito caem até 90%

Levantamento feito pela empresa de pagamentos Elo, que possui 132 milhões de cartões em sua base, mostra o tamanho do estrago da crise do coronavírus. Comparou o movimento do dia 23 de março, em plena pandemia, com o faturamento médio de um dia comum. Os pagamentos com cartão de débito caíram 91% no setor de vestuário. Nos bares e restaurantes, a queda foi de 69%. Nos postos de combustível, 35%. Apenas os supermercados (alta de 20%) e farmácias (aumento de 15%) venderam mais.


Coronavírus deverá estimular novos negócios

Neste exato momento, alguma grande empresa começa a ser gestada. Pelo menos é isso o que ensina a história. Depois da crise do subprime, em 2008, dois negócios surgiram para mudar o mundo. O Airbnb, nascido em agosto de 2008, ofereceu uma oportunidade de renda para quem tinha imóveis vagos. Criada em março de 2009, a Uber abriu portas para milhões de pessoas que perderam o emprego. Hoje em dia, as maiores apostas são para novos negócios relacionados à área de saúde e tecnologia.


Empresas de videoconferências faturam alto

O mercado de eventos tem sofrido com as restrições de circulação, mas muitas empresas descobriram novos nichos nas videoconferências. A startup americana Zoom Video Communications, dona de um aplicativo para o setor corporativo que conecta pessoas em reuniões a distância, representa em 2020 uma notável exceção na Bolsa dos Estados Unidos. Desde janeiro, enquanto a maioria das ações derreteu, seus papéis dispararam 60%. Não à toa: o número de usuários triplicou no período.


"Entre ouro e dinheiro, prefiro ouro. Entre ouro e empresas, prefiro empresas;
Henrique Bredda, sócio da firma de investimentos Alaska


155.810
automóveis e veículoscomerciais leves foram vendidos no Brasil em março, queda de 21% sobre o mesmo período do ano passado. Segundo a Fenabrave, associação que reúne as concessionárias, foi o pior resultado em 14 anos.


Rapidinhas


  • A indústria de videogames está faturando com a quarentena global. A americana Twitch, empresa de transmissão ao vivo de jogos eletrônicos, alcançou a marca recorde de 1,1 bilhão de horas assistidas em março. Lançado recentemente, o jogo Call of Duty Warzone passou de 6 milhões de jogadores para 25 milhões em dez dias.

  • As empresas que têm faturamento proveniente de compras digitais estão bem posicionadas para enfrentar a crise. O mundo se depara com uma mudança sem precedentes. Muitas pessoas acessaram softwares e aplicativos pela primeira vez e a tendência é que sejam fidelizadas diante da comodidade que as novas tecnologias oferecem.

  • A operadora Vivo ofereceu ao governo de São Paulo uma ferramenta utilizada na Europa, na Ásia e nos Estados Unidos: o acompanhamento dos deslocamentos da população em tempo real por meio das redes de telefonia celular. A empresa entregará as informações ao Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT).

  • Segundo a Vivo, os dados serão apresentados em um modelo de ;mapa de calor; que indica maior ou menor concentração populacional por localidade, em diferentes períodos. De posse das informações, as autoridades poderão adotar estratégias para evitar a disseminação da pandemia. O estado de São Paulo lidera as estatísticas de casos do coronavírus.


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