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Correio Braziliense

Coronavírus: pacote emergencial pode chegar a R$ 1 trilhão, diz Guedes

O valor é o maior já anunciado pelo governo


postado em 03/04/2020 16:38 / atualizado em 03/04/2020 16:56

(foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)
(foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)
O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse nesta sexta-feira (03/04) que o pacote de enfrentamento à crise sanitária e econômica do novo coronavírus pode chegar a R$ 1 trilhão. O valor é o maior já anunciado pelo governo.

"Os programas já passaram dos R$ 800 bilhões e possivelmente vão chegar a quase R$ 1 trilhão ao longo das próximas semanas ou meses", disse Guedes, em pronunciamento realizado no Palácio do Planalto.

Como já prevê um gasto de R$ 1 trilhão durante a pandemia do Covid-19, o ministro também afirmou que o rombo das contas públicas brasileiras pode chegar a 6% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil neste ano. É um rombo maior que o déficit de R$ 419 bilhões que foi anunciado há menos de 24 horas pelo Ministério da Economia e corresponde a 5,55% do PIB.

Guedes, contudo, não detalhou como serão empregados todos esses recursos. "É um volume de recursos formidável. Nunca houve uma mobilização tão rápida de tantos recursos. Estamos preparados para atender as emergências", disse.

Inicialmente, Guedes havia dito que as medidas de enfrentamento ao Covid-19 iriam injetar R$ 750 bilhões na economia brasileira nos próximos três ou quatro meses. Depois, esse valor subiu para R$ 800 bilhões. 
 

R$ 600


Guedes ressaltou, por sua vez, o impacto de uma das medidas emergenciais já anunciadas pelo governo nessa conta: o pagamento do benefício de R$ 600 aos trabalhadores informais. É que o chamado coronavoucher vai custar R$ 98 bilhões ao governo - mais que os R$ 95 bilhões que a União tinha disponível para as despesas discricionárias (as não obrigatórias) de todo o ano de 2020.

"Só esse programa excede todos os gastos discricionários previstos para este ano. [...] Com isso, em três meses vamos gastar mais que toda a programação anual de todos os ministérios", afirmou Guedes.

Balanço divulgado nessa quinta-feira (02/04) pelo Ministério da Economia confirma que esta é a medida de maior impacto fiscal do pacote de enfrentamento ao Covid-19, pois representa 1,3% do PIB. E o presidente Jair Bolsonaro já avisou que, se for preciso, o pagamento do coronavoucher pode durar mais que os três meses projetados inicialmente.

Além dos R$ 98 bilhões do auxílio dos informais, o governo também espera aplicar R$ 88 bilhões em auxílios para os estados e municípios; R$ 51,2 bilhões no programa de proteção ao emprego, que assegurou o pagamento do seguro desemprego aos trabalhadores que tiverem o salário reduzido durante a pandemia; R$ 36 bilhões com a linha de crédito que vai financiar a folha de pagamento das pequenas e médias empresas nos próximos dois meses; e R$ 3 bilhões com a ampliação do Bolsa Família durante a pandemia do Covid-19.

PEC Emergencial

 
O ministro da Economia concluiu que todo esse empenho de recursos mostra a necessidade da aprovação da PEC do Orçamento de Guerra, que deve ser votada ainda hoje na Câmara dos Deputados. "Precisamos da blindagem jurídica e também da blindagem legislativa", argumentou.

Guedes explicou que essa proposta de emenda à Constituição é importante, mesmo depois da aprovação do estado de calamidade pública autorizar o governo a descumprir a meta primária deste ano, porque cria segurança jurídica para o descumprimento de outra regra fiscal: a regra de ouro. "Os gastos dessa magnitude de 6% do PIB exigirá um endividamento e a regra de ouro diz que o governo não pode se endividar para financiar gastos", pontuou. 

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