Economia

Dólar renova máxima histórica a R$ 5,326

A moeda norte-americana fechou com alta de 1,13%, vendida a R$ 5,326, no maior valor nominal desde o lançamento do Plano Real

Rafaela Gonçalves*
postado em 03/04/2020 17:43
 (foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)
(foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)
notas de dólarO dólar voltou a renovar a máxima histórica nesta sexta-feira (3/4). A moeda fechou com alta de 1,13%, vendida a R$ 5,326, no maior valor nominal desde o lançamento do Plano Real. A divisa norte-americana fechou a sétima semana consecutiva de ganhos em meio à cautela generalizada após os casos de coronavírus no mundo superarem um milhão e os dados nos Estados Unidos mostrarem uma perda de 701 mil empregos em março, dando um o tom do impacto econômico da pandemia.

O Banco Central chegou a realizar um leilão em até 10 mil swaps cambiais tradicionais com vencimento em outubro de 2020 e janeiro de 2021, para rolagem de contratos já existentes, o que não foi capaz de conter a alta da moeda. Segundo analistas, a pandemia do novo coronavírus é o grande fator que tem feito o dólar subir não apenas ante o real, mas diversas outras moedas. Com foco no que deve ser o pico de infectados pela Covid-19 e a possibilidade de a pandemia anular o crescimento global, dificilmente a tendência de alta deve se reverter, principalmente contra divisas de países emergentes.

No caso da moeda brasileira, o economista e sócio da Veedha Investimentos, Rodrigo Moliterno, acredita que a instabilidade política pode ser um fator a mais, que vem sendo observado pelo mercado. ;Se a gente for pegar o Brasil, o real é uma das moedas que mais se desvalorizaram em todo esse movimento, e o ambiente político aumenta ainda mais o risco e colabora com a valorização. Obviamente, a extensão do coronavírus é bastante iminente e o mais preocupante são os dados da economia. Essa conjuntural voltou a trazer tensão ao mercado, e o dólar acaba sendo um veículo de fuga, um porto seguro para o investidor. Aqui ainda temos a insegurança em relação à disputa do governo Bolsonaro, que troca farpas com o Congresso e com o próprio ministro da Saúde, mas esse não é o momento para ter briga, isso logicamente aumenta a tensão e o fator de risco;, avaliou.

O atual patamar da taxa básica de juros (Selic), em mínima histórica de 3,75%, também colabora para a redução do investimento vindo do exterior, uma vez que reduz rendimentos atrelados à taxa básica de juros, tornando alguns ativos brasileiros menos atraentes. Medidas econômicas do governo para o combate do coronavírus ainda estão no radar dos investidores.

[SAIBAMAIS]A sessão foi de perdas generalizadas nos mercados, o Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo (B3) fechou em queda de 3,76%, a 69.537 pontos, com volume financeiro negociado de R$ 22,03 bilhões. Nos Estados Unidos, o S 500, principal indicador de avaliação das ações do mercado norte-americano, recuou 1,51%. Na Europa, os índices também registraram queda: a Bolsa de Valores de Paris apresentou baixa de 1,58% e a de Londres, de 1,18%.

O analista da Clear Corretora, Rafael Ribeiro, avaliou os fatores que explicam o fraco desempenho da bolsa Brasileira. ;O péssimo resultado do número de vagas criadas nos EUA em março, considerando que a situação pode piorar em abril, elevou o nível de aversão pelo mundo. Além disso, tivemos o adiamento da votação da PEC do orçamento de guerra, o que não era esperado pelo mercado. Outro número negativo foi o resultado do setor de serviços. De acordo com a pesquisa PMI IHS Markit, o setor de serviços brasileiro caiu de 50,4 para 34,5 no mês de março, o que já demonstra o efeito primário do coronavírus na atividade econômica do país;, afirmou.
*Estagiária sob supervisão de Fernando Jordão

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