Economia

Cepal: AL mais pobre

postado em 04/04/2020 04:04


A América Latina está no começo ;de uma profunda recessão;, com uma contração do Produto Interno Bruno (PIB) regional que chegará em 2020 entre 1,8% e 4% pela expansão mundial do coronavírus, além de forte aumento da pobreza extrema, anunciou ontem a Comissão Econômica para América Latina e Caribe (Cepal). ;Estamos diante de uma profunda recessão. Estamos diante da queda do crescimento mais forte que a região teve;, disse Alicia Bárcena, secretária-executiva da Cepal, em Santiago.

A expansão do coronavírus terá um impacto especial nos países da América Latina, que já viviam um contexto econômico difícil após o crescimento fraco registrado em 2019, de apenas 0,1%. Nesse cenário, a diminuição da atividade econômica nos principais parceiros comerciais da região, a queda no valor das matérias-primas e o golpe em setores como o turismo, levará a região a uma queda no PIB em uma faixa de 1,8% a 4%.

A contração de 1,8% considera apenas os efeitos na América Latina do declínio econômico da China, principal parceiro comercial da região, mas se somar o colapso econômico dos países que compõem a União Europeia, os Estados Unidos e o restante na região, o impacto será muito maior, na faixa de 3 a 4%, explicou Bárcena.

Antes do Covid-19, a Cepal esperava que a região crescesse no máximo 1,3% em 2020. ;Ao contrário de 2008, essa não é uma crise financeira, mas uma de pessoas, de produção e de bem-estar;, acrescentou Bárcena.

Se os efeitos da Covid-19 levarem à perda de renda de 5% da população economicamente ativa na América Latina, a pobreza poderá aumentar 3,5 pontos percentuais, de 185,9 milhões para 209,4 milhões de pessoas. A projeção de pobreza extrema não é mais animadora: espera-se um aumento de 2,3 pontos percentuais, de 67,4 milhões para 82 milhões, adicionando 35 milhões de pessoas à pobreza extrema na América Latina.

Para a Cepal, a saída da crise dependerá da força econômica de cada país, mas as ;assimetrias; na região tornam ainda mais importante o papel desempenhado por organizações, como o FMI e o Banco Mundial para financiamento e gastos sociais.

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