Economia

OMC: Brasil pode ter retração de 11 pontos percentuais no PIB por pandemia

Segundo informe sobre comércio da entidade, colapso nos mercados será um dos maiores em gerações

A Organização Mundial do Comércio (OMC) estima que a pandemia do novo coronavírus deve desviar a trajetória do PIB brasileiro em até 11,6 pontos percentuais em 2020. Segundo dados do informe sobre comércio da entidade, o alerta é de que o colapso nos mercados será um dos maiores em gerações. No melhor dos cenários, o desvio na trajetória do crescimento do país seria de 4,5 pontos percentuais. No mundo, a projeção é de que a contração chegue a 32% dos fluxos e, no caso do Brasil, no pior dos cenários, a estimativa aponta para uma queda de 20,2%. 

O diretor-geral da organização, Roberto Azevêdo, alertou que nenhum país na América do Sul ficará imune à contração econômica. Já abaladas anteriormente pela tensão da guerra comercial entre China e Estados Unidos, assim como pela incerteza em torno do Brexit, as trocas comerciais vão sofrer uma queda de dois dígitos em quase todas as regiões do planeta, especialmente na América do Norte e na Ásia, afirmam economistas da instituição. América Latina e Europa também sofrerão quedas de mais de 30%.

Segundo a entidade, a margem da previsão é ampla porque ainda há muita incerteza sobre a duração da crise, que tem natureza sem precedentes. Mas economistas afirmam que, apesar dos limites para estimar a redução comercial, ela deve superar a da crise financeira global de 2008.

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No caso do Brasil, caso haja uma retomada rápida da economia mundial, a queda seria ainda assim de 8%, mas técnicos da entidade alertam que o país já estava passando um período de desaceleração de sua economia  anteriormente, não chegando à pandemia com condições sólidas. Em 2019 o comércio brasileiro já havia registrado uma contração de 7%, ficando estagnado no ranking dos maiores exportadores do mundo, na 27ª posição.

De acordo com a OMC, o PIB da América do Sul deve sofrer mais contração no mundo, mesmo no cenário mais otimista, em que governos conseguirão retomar suas atividades e mercados, a queda poderia variar entre 4,3% e 11%. 
 
*Estagiária sob supervisão de Fernando Jordão