Publicidade

Correio Braziliense

Catástrofe no comércio global: OMC estima perdas na economia brasileira

OMC estima que PIB do Brasil pode cair até 8% em função de retração de até 32% no fluxo de mercadorias e serviços entre os países, provocada pela pandemia da Covid-19


postado em 09/04/2020 06:00 / atualizado em 09/04/2020 20:15

Roberto Azevedo: mundo terá crise comparável à Grande Depressão ocorrida nos anos 1930(foto: Marcos Oliveira/Agencia Senado)
Roberto Azevedo: mundo terá crise comparável à Grande Depressão ocorrida nos anos 1930 (foto: Marcos Oliveira/Agencia Senado)
A Organização Mundial do Comércio (OMC) estima que a pandemia do novo coronavírus deve provocar uma contração de até 32% nos fluxos comerciais de todo o mundo neste ano. No caso do Brasil, no pior dos cenários, a estimativa aponta para uma queda de 20,2% no comércio com o exterior. Essa retração no volume de exportações e importações, por sua vez, vai provocar queda na produção mundial. Ela será capaz, por exemplo, de desviar a trajetória do PIB brasileiro em até 11,6 pontos percentuais em 2020, podendo provocar queda de até 8% na produção de riquezas. No melhor dos cenários, o desvio na trajetória do crescimento do país seria de 4,5 pontos percentuais.

Segundo relatório divulgado ontem pela entidade, os efeitos da Covid-19 no comércio exterior vão gerar um dos maiores colapsos nos mercados em gerações. Já abaladas anteriormente pela tensão da guerra comercial entre China e Estados Unidos, assim como pela incerteza em torno da saída do Reino Unido da União Europeia, o Brexit, as trocas comerciais vão sofrer uma queda de dois dígitos em quase todas as regiões do planeta, especialmente na América do Norte e na Ásia, afirmam economistas da instituição. América Latina e Europa também sofrerão quedas de mais de 30%.

Segundo a OMC, a margem da previsão é ampla porque ainda há muita incerteza sobre a duração da crise, que tem natureza sem precedentes. Mas os economistas afirmam que, apesar dos limites para estimar a redução comercial, ela deve superar a da crise financeira global de 2008 e será comparável à da Grande Depressão, que aconteceu nos anos 1930. 

“Esta crise é, antes de mais nada, uma crise sanitária que obrigou os governos a tomarem medidas sem precedentes para proteger a vida das pessoas”, afirmou o diretor-geral da organização, Roberto Azevêdo. “As inevitáveis quedas no comércio e na produção terão consequências dolorosas para as famílias e para as empresas, além do sofrimento humano causado pela própria doença”, disse. Ele ainda alertou que nenhum país na América do Sul ficará imune à contração econômica.

De acordo com a OMC, na América do Sul, mesmo no cenário mais otimista, em que governos e mercados conseguirão retomar as atividades, a queda do PIB pode variar entre 4,3% e 11%.

No caso do Brasil, caso haja uma retomada rápida da economia mundial, a queda seria, ainda assim, de 8%, mas técnicos da entidade alertam que o país já estava passando um período de desaceleração, não tendo chegado à pandemia em condições sólidas. Em 2019 o comércio brasileiro já havia registrado uma contração de 7%, ficando estagnado no ranking dos maiores exportadores do mundo, na 27ª posição.

As estimativas da recuperação esperada em 2021 são igualmente incertas e dependem, em grande medida, da duração do surto e da eficácia das respostas políticas, mas se houver uma forte cooperação internacional, a expectativa é de que retomada pode ser relativamente rápida.

As quarentenas adotadas em diversos países pelo mundo fecharam fábricas, lojas e interromperam o comércio de uma maneira inédita, o resultado disso pode ser uma contração que varie entre 13% e 32%, queda que, de acordo com a organização, é explicada pela incerteza de seu impacto econômico preciso. 

* Estagiária sob suspervisão de Odail Figueiredo

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade