Correio Braziliense
postado em 20/04/2020 19:28
“Será que os servidores podem contribuir para o Brasil”, questionou Guedes, na tarde desta segunda-feira (20/04) durante uma live organizada pelo BTG Pactual. “Nós pedimos isso porque achamos que é mais importante não tirar o poder de compra”, afirmou.
Ele contou que o governo vem atacando as três despesas incontroláveis. A primeira, segundo ele, foi derrubada com a aprovação da reforma da Previdência. Em seguida, devido a mudança no sistema de aposentadorias foi possível também controlar a conta de juros está mais acomodada devido à redução da taxa básica de juros (Selic), de acordo com o ministro. Mas ainda preciso atacar a despesa com pessoal. “Em dois anos, seriam R$ 100 bilhões a menos de privilégios”, estimou. “Isso é a contrapartida que tem ser dada como medida emergencial para enfrentar essa crise”, destacou.
De acordo com o ministro, a equipe econômica está em constantes conversas com senadores para elaborar melhor essa proposta como contrapartida de repasses de recursos da União para estados e municípios. “Se o salário do funcionalismo não subir em todos os níveis da federação, prefeituras, estados e governo federal, se todos se comprometerem a não dar aumentos salariais, é uma sinalização importante. Aí vamos derrubar a terceira torre dos gastos descontrolados durante a pandemia. Todos têm que contribuir”, destacou.
“Alguns estão pagando com a vida. Alguns perderam os empregos. É absolutamente imprescindível que venha a contribuição do funcionalismo público nos três níveis durante dois anos”, defendeu. “Essa é a contrapartida que o Senado tem a sensibilidade que nos permite seguir adiante com um pouco mais de recursos nesta luta”, acrescentou.
Farra fiscal
O ministro demonstrou irritação com os governadores que voltaram com outra proposta duas semanas depois de fazerem um acordo da União para repasses de R$ 78 bilhões a R$ 88 bilhões, como diferimento de juros e principal da dívida, entre outros repasses emergenciais. Guedes criticou a proposta de projeto de lei da Câmara obrigando a União ressarcir as perdas com a arrecadação de ICMS e ISS, e afirmou que ela é um caminho para a irresponsabilidade fiscal. “É inaceitável”, disse ele, citando um cálculo do Tesouro Nacional de que essa nova despesa pode chegar a R$ 220 bilhões se a receita cair 59%. “Não podemos transformar uma crise de saúde em uma explosão da crise fiscal. Não pode ser assim”, defendeu.
Na avaliação do ministro, se o Congresso aprovar essa garantia, haverá uma “farra fiscal” para o rio da irresponsabilidade. “Nesse rio eu não entro”, disse.
Ao fazer um balanço das medidas que o governo vem adotando, Guedes disse que recebeu elogios de representes do Fundo Monetário Internacional (FMI) durante os encontros virtuais na semana passada. Segundo ele, com a inclusão de taxistas, que é algo que “ele sempre defendeu”, o custo do benefício emergencial poderá ficar em torno de R$ 114 bilhões. Inicialmente, o custo do auxílio para trabalhadores informais, de R$ 600, seria de R$ 98 bilhões.
Bolsonaro
Saiba Mais
Ao contrário do presidente, Guedes reforçou que a crise não é apenas de saúde e contou que segue a orientação do Ministério da Saúde sobre como proceder diante dessa pandemia. E, por conta disso, tem respeitado a orientação do distanciamento social. “Eu não entendo de saúde e não posso me aventurar nesse território”, afirmou.
Notícias pelo celular
Receba direto no celular as notícias mais recentes publicadas pelo Correio Braziliense. É de graça. Clique aqui e participe da comunidade do Correio, uma das inovações lançadas pelo WhatsApp.
Dê a sua opinião
O Correio tem um espaço na edição impressa para publicar a opinião dos leitores. As mensagens devem ter, no máximo, 10 linhas e incluir nome, endereço e telefone para o e-mail sredat.df@dabr.com.br.