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Correio Braziliense

Bolsa encerra primeiro pregão de maio com queda de 2,02%

Índice Bovespa volta a ficar abaixo de 80 mil pontos. Dólar sobe 1,52% e fecha o dia cotado a R$ 5,521


postado em 04/05/2020 17:34 / atualizado em 04/05/2020 18:24

(foto: Jorge Araujo/Fotos)
(foto: Jorge Araujo/Fotos)
A Bolsa de Valores de São Paulo (B3) encerrou o primeiro pregão de maio no vermelho e voltou a ficar abaixo dos 80 mil pontos. O aumento das incertezas nos mercados interno e externo fez o Índice Bovespa recuar mais de 3% ao longo do dia, mas o principal indicador da B3 fechou com queda de 2,02%, nesta segunda-feira (04/05), a 78.876 pontos. 

As ações das empresas do setor aéreo lideraram as perdas. Os papéis de Embraer, Gol e Azul registram queda de 12,87%, 10,75% e 10,08%, respectivamente. Enquanto isso, o dólar teve alta de 1,52, e encerrou o dia cotado a R$ 5,521 para a venda. O Índice Dow Jones ficou praticamente estável em Nova York, com alta de 0,11%. 

O Índice Dow Jones ficou praticamente estável em Nova York, com alta de 0,11%, mas as bolsas europeias também encerraram no vermelho diante da volta de atritos entre China e Estados Unidos aumentaram as tensões sobre uma retomada do comércio global, com novas acusações do governo norte-americano de que os chineses teriam desenvolvido a Covid-19, pandemia provocada pelo novo coronavírus, em um laboratório em Wuhan. 

Na avaliação de analistas, a retomada dessa guerra comercial não era esperada e isso mexeu com os mercados. Mas eles reconheceram também que as manifestações antidemocráticas de domingo e a radicalização do discurso do presidente Jair Bolsonaro contra o Legislativo e o Judiciário deixaram operadores bastante preocupados nesse cenário de retração da economia global já contratada devido à Covid-19 e apostam no câmbio daqui para frente. “O fim de semana foi cheio de turbulências entre Estados Unidos e China e aqui está cada vez mais clara uma crise institucional e política que tem piorado as expectativas de recuperação do mercado doméstico”, explicou a economista-chefe da ARX Investimentos, Solange Srour.

“Grande parte desse movimento de queda foi resultado da precificação do que aconteceu na sexta-feira, quando os ADRs (American Depositary Receipts) brasileiros, que recuaram mais de 4% e, por conta disso, o IBovespa acabou caindo também hoje”, afirmou Rafael Ribeiro, analista da Clear Corretora. Para ele, o mercado externo mais incerto tem deixado a B3 e o câmbio bastante voláteis do que o cenário político interno. “Há muitas incertezas e não podemos prever o que virá em maio”, afirmou. 

No acumulado do ano, as perdas na B3 somaram 31,78%, anulando os ganhos de 31,6% registrados em 2019. As perdas das ações listadas na bolsa desde janeiro somam R$ 1,29 trilhão. Em abril, o Ibovespa registrou alta de 10,35%, o melhor abril desde 2009 e o sexto melhor desde o Plano Real, de acordo com a Economática. A consultoria informou ainda que, ao subir 34,64% no primeiro quadrimestre de 2020, o dólar teve a terceira maior valorização desde 1994. 

Debandada


A falta de confiança na recuperação da economia brasileira diante da pandemia de Covid-19, tem feito os investidores estrangeiros partirem em debandada do mercado de ações brasileiro. Conforme dados da B3, até o último dia 29, a saída dos aplicadores não residentes somou R$ 68,7 bilhões, quase o dobro dos R$ 44,6 bilhões retirados da Bolsa brasileira no ano passado. 

“Os investidores estão saindo por conta da perspectiva de crescimento muito baixo e aqui a tendência é demorar mais para sair da crise devido à incerteza fiscal e política”, explicou Solange. Ela reforçou que o real é a moeda dos países emergentes que mais tem perdido valor neste ano.  Há um movimento de valorização do dólar frente às moedas de países emergentes, mas o real é o que mais tem registrado perdas devido à questão política e fiscal no Brasil. A incerteza é enorme e há uma expectativa de que as medidas recentes adotadas pelo governo, como o benefício emergencial, deverão ter impacto nas contas públicas mais prolongado do que os três meses previstos pelo governo”, destacou a economista. A analista prevê queda de 5% no Produto Interno Bruto (PIB) deste ano e a dívida pública bruta chegando a 92% do PIB. Contudo, admite que esses dados pode ser revistos e, “para pior”.

De acordo com o economista Sidnei Nehme, diretor da NGO Corretora de Câmbio, nesta semana, há “inúmeros vetores de forte influência sobre a formação do preço da moeda americana no nosso mercado de câmbio” e, portanto, não faltarão motivos para que o dólar possa atingir novos recordes, se aproximando de R$ 6, especialmente, com a expectativa de novo corte na taxa básica de juros (Selic) na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). “Há tensões internas de natureza política crescentes preocupações que se acentuam sobre as perspectivas da retomada da atividade econômica que estão conduzindo a população ao desalento, agravamento da crise do coronavírus com os números atingindo níveis de contaminação e mortalidade recordes”, adicionou Nehme.

A maioria das apostas do mercado é de uma redução de 0,5 ponto percentual na taxa básica, passando de 3,75% para 3,25% ao ano. Para Solange, a Selic poderá chegar a 2,75% no fim do ano. Pelas projeções de Marcos Ross, economista da XP Investimentos, o BC deverá ser mais conservador e limitar o corte de 0,50 ponto percentual em maio, mantendo a Selic em 3,25% até dezembro. 

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