Publicidade

Correio Braziliense

Auxílio emergencial: mais 30 milhões de pessoas ainda devem entrar na lista

Instituição Fiscal Independente do Senado calcula que o número de necessitados do auxílio emergencial ainda subirá, incluindo mais 30 milhões de pessoas num cenário otimista. No pessimista, os dependentes passarão de mais da metade da população brasileira


postado em 08/05/2020 05:59 / atualizado em 08/05/2020 06:02

Caso se concretrize entrada de mais pessoas na lista de beneficiados dos R$ 600, despesa pode explodir e passar dos R$ 200 bilhões(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
Caso se concretrize entrada de mais pessoas na lista de beneficiados dos R$ 600, despesa pode explodir e passar dos R$ 200 bilhões (foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
Mais 30 milhões de pessoas ainda devem entrar na lista de beneficiados do auxílio emergencial de R$ 600. A estimativa é da Instituição Fiscal Independente (IFI) do Senado, que acredita que o número de brasileiros aptos a receber os R$ 600 vai subir por conta do avanço do desemprego durante a pandemia do novo coronavírus, forçando o Executivo a ampliar em mais R$ 30 bilhões o orçamento do programa. Nota técnica divulgada nesta semana, a IFI lembra que 50 milhões já receberam o auxílio emergencial de R$ 600, mas estima que esse número pode chegar a, pelo menos, 80 milhões.


E esse é apenas um cenário razoável. Em uma projeção mais extrema de crise e desemprego, de acordo com a Instituição, o número de elegíveis aos R$ 600 poderia chegar até a 112 milhões — mais da metade da população brasileira —, puxando o orçamento do programa para R$ 217 bilhões.

Avaliação


Segundo o órgão de estudos do Senado, a Dataprev ainda está analisando o cadastro de quase 19 milhões de brasileiros que solicitaram o auxílio emergencial no aplicativo do programa (13 milhões de cadastros que foram, inicialmente, classificados como inconclusivos, e 6 milhões de cadastros realizados depois do dia 30 de abril). E, entre os motivos que podem ampliar o número de elegíveis aos R$ 600, estão: 1º) a possibilidade de muitos brasileiros de baixa renda não terem solicitado o recurso ainda por conta de problemas tecnológicos, como a falta de acesso à internet; e 2º) o fato de que o número de brasileiros que pode se encaixar nos critérios de concessão do auxílio emergencial subir, já que a crise da covid-19 continua pressionando o emprego e a renda da população.

A IFI diz que o “aumento do desemprego elevará o número de elegíveis” e lembra que “a trajetória da taxa de desemprego para os próximos meses ainda é incerta — assim como a duração e a intensidade da desaceleração econômica”. Hoje, a taxa de desemprego está em 12,2% e afeta 12,9 milhões de pessoas. Mas há quem diga que esse percentual pode chegar a 15%, colocando mais três milhões de pessoas na fila do desemprego.

Por isso, a IFI diz que é “razoável” considerar que o número de contemplados pelo benefício emergencial de R$ 600 vai subir de 50 milhões para 79,9 milhões de pessoas, nas próximas semanas. E calcula que isso vai elevar o orçamento do programa, que começou em R$ 98,2 bilhões e já saltou para R$ 123,9 bilhões, para R$ 154,4 bilhões. O aumento forçaria o governo a liberar, portanto, mais R$ 30,5 bilhões de crédito extraordinário para o auxílio emergencial.

Promessa de analisar cadastro de 17 milhões


O ministro da Cidadania, Onyx Lorenzoni, prometeu que o governo concluiria ontem a análise cadastral de 17 milhões de brasileiros que solicitaram o auxílio emergencial e ainda não sabem se terão direito aos R$ 600. A expectativa é deque quem tiver o cadastro aprovado nesse grupo receba o dinheiro até a próxima segunda-feira (11/05). Nada menos que cerca de 19 milhões de pessoas que recorreram ao aplicativo e ao site da Caixa para solicitar a ajuda financeira ainda não sabem se podem contar com o recurso. Neste grupo, estão os 13 milhões de brasileiros que solicitaram o benefício assim que o programa foi lançado, mas tiveram a inscrição classificada como inconclusiva pelo governo.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade