Economia

Guedes pede que empresários apoiem governo: "Disparem publicidades"

Ministro ainda sugeriu que os empresários fossem ao STF e ao Congresso para defender relaxamento do isolamento social e aprovação de reformas

Marina Barbosa
postado em 14/05/2020 19:04
Ministro ainda sugeriu que os empresários fossem ao STF e ao Congresso para defender relaxamento do isolamento social e aprovação de reformasO ministro da Economia, Paulo Guedes, pediu que os empresários brasileiros deixem claro o apoio à postura adotada pelo governo federal durante a pandemia do novo coronavírus. Ele propôs até que os empresários que participaram de uma reunião com Guedes e o presidente Jair Bolsonaro nesta quinta-feira (14/05) procurem os demais poderes e lancem campanhas publicitárias em defesa do relaxamento das medidas de isolamento social.

"Os senhores têm que se mover, têm que nos ajudar. Os senhores têm capacidade de influir. Disparem essas campanhas publicitárias. Lancem essa ajuda à gente", afirmou Guedes, explicando que o presidente Jair Bolsonaro "está falando praticamente sozinho há 60 dias" sobre a necessidade de manter a economia funcionando durante a pandemia do novo coronavírus e "está sendo apedrejado por isso". "O presidente está estendendo a mão, não está ameaçando ninguém, está pedindo ajuda. Pensem o que vai acontecer com o PIB brasileiro, o que vai acontecer com o emprego se essa crise de aprofundar, pensem nisso", insistiu.

O ministro da Economia ainda sugeriu que os empresários, que conversaram com o Executivo por intermédio do presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, também procurassem os demais poderes para expressar a preocupação com a retomada da economia brasileira. O Judiciário porque o Supremo Tribunal Federal (STF) delegou aos governadores a responsabilidade de decidir sobre as medidas de distanciamento social e o Legislativo porque o governo entende que é preciso avançar com a agenda de reformas no Congresso para garantir uma recuperação rápida no pós-coronavírus.

Sobre o relaxamento do isolamento social, Guedes afirmou que de fato existe uma doença e que "é triste". Mas afirmou que "existe também uma realidade que está chamando atenção há 60 dias e que está, agora na percepção dos senhores que são empresários, virando uma realidade ameaçadora". Segundo o ministro, a economia brasileira ainda está com "os sinais vitais vivos" e pode ter uma recuperação rápida por conta disso, mas vê essa possibilidade cada vez mais distante à medida que as atividade econômicas continuam paradas por conta do coronavírus.

Cálculos apresentados nessa quarta-feira (13/05) pela equipe econômica explicam que cada semana de quarentena pode gerra uma perda de R$ 20 bilhões para a economia brasileira. Por isso, o Ministério da Economia já avisou que a previsão de que o Produto Interno Bruto (PIB) vai cair 4,7% neste ano deve ser piorada caso a quarentena se estenda pelo mês de junho.

"Uma coisa é ficar certo tempo fechado, outra coisa é de repente descontinuar a produção nacional e mergulhar numa depressão. Esse é o alerta do presidente. Não queremos pressionar nenhum poder. O que o presidente está dizendo é que ;não está ao meu alcance, a decisão desceu para os governadores;. Ora, por que não desceu para os prefeitos que é onde as pessoas vivem? Então, reflitam sobre esse alerta", discursou Guedes, que ainda criticou a decisão do STF de dar aos estados o poder de decidir sobre as medidas de isolamento social dizendo que "se é para levar a lógica da descentralização ao limite, quem tem que decidir é o prefeito".

Já em relação ao Congresso, o ministro disse que os parlamentares podem contribuir com a retomada econômica se aproveitarem esse momento de quarentena para avançar com as reformas e com os marcos regulatórios do saneamento, do petróleo e gás e da energia barata - projetos que, segundo a equipe econômica, podem ajudar a atrair investimentos privados e gerar empregos no pós-pandemia. O ministro ainda lembrou que os empresários que estavam participando da conversa tinham acesso direto aos parlamentares e, por isso, poderiam contribuir com a defesa desses projetos.

"Precisamos do apoio dos senhores, que sempre financiaram campanha eleitoral, que têm acesso com todos os parlamentares, que têm intimidade com o presidente da Câmara e com o presidente do Senado. Os senhores tem os acessos, trabalhem esse acesso para nos apoiar", afirmou Guedes, reforçando que o Congresso pode ajudar o Brasil a "surpreender o mundo" com uma rápida recuperação depois da pandemia da covid-19.

O ministro ainda aproveitou a deixa para pedir que os empresários mostrassem aos parlamentares a importância de fazer com que o dinheiro da saúde não vire reajuste salarial para os servidores públicos, argumentando que não basta o presidente vetar essa medida se depois o Congresso derrubar o veto e permitir o reajuste.

[SAIBAMAIS]Guedes também acabou criticando a postura dos parlamentares que têm negociado o apoio do governo através de cargos. Ele disse que, com os repasses extraordinários liberados pelo governo federal para o enfrentamento do coronavírus nos estados e municípios, os parlamentares já estão levando muito dinheiro para suas bases. "Nunca levaram tanto dinheiro para suas bases. Não obstante, é difícil ter base [no Congresso]. Como pode receber tanto recurso e ser difícil ter base?", criticou o ministro.

Ao final da reunião, Paulo Guedes garantiu, por sua vez, que a sua intenção com esse discurso não era pressionar ninguém. Segundo ele, todo esse apelo não passa de um entusiasmo para que as coisas funcionem no Brasil. "Queremos que a coisa funcione. Queremos que os senhores esclareçam porque, às vezes, o Congresso entendendo as consequências vem na direção. A mesma coisa o Supremo. E, nesse sentido, fazemos a convocação. Acreditamos na democracia, na forma com que está funcionando", alegou.

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