Economia

Petrobras tem prejuízo de R$ 48,5 bilhões no primeiro trimestre

A Petrobras decidiu adequar o valor de seus ativos aos novos preços do petróleo. A revisão reduziu em R$ 65,3 bilhões o valor de operações. Sem ela, perda seria de R$ 4,6 bilhões

Simone Kafruni
postado em 14/05/2020 19:52
A Petrobras decidiu adequar o valor de seus ativos aos novos preços do petróleo. A revisão reduziu em R$ 65,3 bilhões o valor de operações. Sem ela, perda seria de R$ 4,6 bilhõesA Petrobras anunciou prejuízo de R$ 48,5 bilhões no primeiro trimestre de 2020, no balanço divulgado nesta quinta-feira (14/5). A receita da empresa caiu 7,7% em relação ao quarto trimestre do ano passado ao passar de R$ 81,7 bilhões para R$ 75,4 bilhões no primeiro trimestre do ano. O lucro bruto caiu 14,7%, de R$ 37 bilhões para R$ 31,6 bilhões, na mesma comparação.

Como o petróleo registrou o pior trimestre da história logo no início de 2020 em meio à pandemia do novo coronavírus, que derrubou a demanda, e a guerra comercial entre Arábia Saudita e Rússia, um resultado negativo da estatal era esperado. Contudo, as perdas foram maiores do que as estimadas porque a companhia decidiu fazer uma revisão (chamada impairment) que reduziu em R$ 65,3 bilhões o valor de um conjunto de operações, principalmente campos petrolíferos, para adequar a previsão de receitas ao novo preço do petróleo.

Segundo a empresa, o valor do barril vai oscilar entre US$ 30 e US$ 45 nos próximos anos. Sem a revisão, a Petrobras teria registrado prejuízo de R$ 4,6 bilhões, com impactos negativos da queda das cotações internacionais do petróleo e efeitos da desvalorização cambial.

Assim, o prejuízo de R$ 48,5 bilhões representou uma variação de -695% ante o lucro líquido de R$ 8,1 bilhões registrado no último trimestre do ano passado. A perda sem o impairment, de R$ 4,6 bilhões, representou variação negativa de 135,9% na comparação com o lucro recorrente de R$ 12,9 bilhões do trimestre anterior. O lucro recorrente é o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado, excluindo itens especiais.

;Registramos prejuízo de R$ 48,5 bilhões no primeiro trimestre de 2020, principalmente devido ao impairment proveniente da revisão das nossas premissas de longo prazo para o petróleo frente ao novo cenário mundial. Nossos resultados também foram impactados pela queda do preço do barril Brent e pelas perdas com variação cambial decorrentes da forte desvalorização do real frente ao dólar. Estes fatores foram atenuados por maiores volumes de exportação, maiores margens nos derivados, menores despesas, incluindo gastos gerais e administrativos, exploratórios e tributários, bem como ganhos com hedge;, informou a companhia, no balanço publicado pouco antes das 20h.

[SAIBAMAIS]O presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, em mensagem publicada com o balanço, informou que a companhia privilegiou a liquidez, sacando linhas de crédito compromissadas e postergando desembolsos de caixa, como os relativos a salários de executivos, pagamentos de remuneração variável e da parcela restante de dividendos. ;Cortamos US$ 3,5 bilhões de investimentos previstos para este ano, hibernamos 62 plataformas operando em águas rasas que, diante de um cenário de preços baixos de petróleo, passaram a produzir sangria de caixa, e estamos renegociando contratos com grandes fornecedores visando à ampliação de prazos de pagamentos e redução de preços;, explicou.

Segundo ele, a Petrobras terminou o primeiro trimestre de 2020 com saldo de caixa de US$ 15,5 bilhões, o que implicou em aumento de dívida de apenas US$ 2,1 bilhões em relação a dezembro de 2019, pois nos dois primeiros meses do ano ainda estava reduzindo o endividamento. ;O crescimento da dívida no curto prazo não significa o abandono do objetivo estratégico de perseguir um endividamento bruto de US$ 60 bilhões;, disse. A empresa registrou dívida bruta de US$ 89,2 bilhões e líquida de U$ 73,1 bilhões no primeiro trimestre do ano.

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