Economia

"Se o mercado punir o Brasil vamos subir juros", diz presidente do BC

Em live com setor de infraestrutura, Roberto Campos Neto afirma que, como o país não tem espaço fiscal, a busca pelo equilíbrio para enfrentar a crise, é aumentar a taxa básica Selic

Simone Kafruni
postado em 20/05/2020 18:41
Em live com setor de infraestrutura, Roberto Campos Neto afirma que, como o país não tem espaço fiscal, a busca pelo equilíbrio para enfrentar a crise, é aumentar a taxa básica SelicO presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, disse, nesta quarta-feira (20/5), que a autoridade monetária poderá subir os juros se mercado punir o Brasil. ;Não temos o luxo de espaço fiscal e teríamos que voltar para o equilíbrio antigo, que são juros altos. Agora, será pior (do que o ciclo de alta anterior) porque vamos começar já com uma dívida muito alta;, ressaltou, durante a live Infra para crescer, caminhos para superar a crise, promovida pela Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (ABDIB).

Campos Neto explicou que o mercado acha bom quando as medidas de liquidez e programas de ajuda são promovidos por países com grandes espaços fiscais. Como o Brasil tem um espaço fiscal menor, inverte essa relação e os mercados começam a se comportar com aumento de prêmio de risco. ;Se desestabilizar o mercado demais, a gente volta a subir juros;, reiterou.

[SAIBAMAIS]O presidente do BC comentou que há uma discussão entre economistas e, inclusive no Comitê de Política Monetária (Copom), sobre até onde se pode ir com política de juros baixos. ;É um debate que dominou a cena na última reunião do Copom. Alguns economistas acham que não se deve preocupar, porque se passar muito do que o mercado entende terá desvalorização. Outra corrente diz que tem que ir testando devagar;, disse.

Isso porque, segundo Campos Netto, em alguns momentos, derrubar juros têm efeito contrário, a moeda se desvaloriza demais. ;Aí a percepção que fica é que o BC criou condições restritivas;, justificou. Atualmente, a taxa básica de juros do Brasil, a Selic, está em 3% ao ano, o menor patamar da história.

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