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Correio Braziliense

Participação das teles no PIB sobe após 13 anos de queda

Em 2019, a receita bruta do setor de telecomunicações alcançou R$ 244 bilhões, 3,6% do Produto Interno Bruto (PIB). A participação vinha caindo desde 2005, quando foi de 6,1%


postado em 22/05/2020 13:17 / atualizado em 22/05/2020 13:48

O setor de telecomunicações teve uma receita bruta de R$ 243,7 bilhões em 2019. O valor representa uma alta de 2,9% em relação a 2018, quando a receita foi de R$ 236,9 bilhões. Apesar de, em termos reais (considerando a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo - IPCA) ter recuado 12,2% na comparação com a receita bruta de 2005, o número alcançado no ano passado representa a primeira alta na participação do Produto Interno Bruto (PIB) desde então. Daquele ano -- quando o setor representou 6,1% do PIB -- em diante, encolheu ano após ano, até cair a 3,4% em 2018. No ano passado, a participação das teles voltou a subir, atingindo 3,6% do PIB. 

Os dados constam do relatório da Associação Brasileira das Telecomunicações (Telebrasil), divulgado nesta sexta-feira (22/5). Segundo o documento, os investimentos do setor de telecomunicações somaram R$ 33 bilhões no passado, sendo R$ 20 bilhões em telefonia móvel e R$ 13 bilhões, em fixa. Desde a privatização, em 1998, o setor investiu R$ 802 bilhões no acumulado, considerando o IPCA de 2019. Em outorgas, foram pagos R$ 513 bilhões desde a privatização.

Da receita bruta do ano passado, de R$ 243,7 bilhões, a maior parte foi da banda larga fixa, de R$ 107 bilhões, ante R$ 100,7 bilhões em 2018, alta de 6,2%. A telefonia móvel garantiu o maior crescimento, de 10,8%, subindo de R$ 46 bilhões para R$ 51 bilhões em 2019.

Na telefonia fixa, houve redução de 16,5% na receita, de R$ 28,5 bilhões em 2018 para R$ 23,8 bilhões em 2019. A TV por assinatura também encolheu, 7,6%, com queda na receita de R$ 27,6 bilhões em 2018 para R$ 25,5 bilhões em 2019. O setor garantiu, em 2019, 470 mil empregos diretos, 5 mil a menos do que no ano anterior.

Impostos

De acordo com o Sindicato Nacional das Empresas de Telefonia e de Serviço Móvel Celular e Pessoal (Sinditelebrasil), os usuários de serviços de telecom pagaram R$ 65,4 bilhões em tributos no ano passado. Isso representa R$ 7,4 milhões por hora, segundo levantamento da entidade. O recolhimento foi o mais alto dos últimos 20 anos, tanto em volume arrecadado quanto em percentual sobre a receita. Em 1999, respondia por 31,4% e, na última década, subiu 9 pontos percentuais.

"A atual carga tributária brasileira não acompanhou a evolução tecnológica e a importância que os serviços de telecomunicações passaram a ter no dia a dia das pessoas. O telefone deixou de ser um bem de luxo para ser um bem essencial", avaliou o presidente executivo do SindiTelebrasil, Marcos Ferrari. “Temos que avançar para fazer a reforma tributária de maneira a reduzir a carga incidente e permitir uma expansão ainda maior dos serviços, incluindo a população mais vulnerável”, acrescentou.

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