Economia

Maquininhas de cartão se preparam para receber o auxílio emergencial

Ideia é que os brasileiros que não têm cartão possam pagar suas compras com os R$ 600 sem ter que sacar o benefício, pelo celular

Marina Barbosa
postado em 27/05/2020 22:08
 (foto: Agência Brasil/Divulgação)
(foto: Agência Brasil/Divulgação)
Ideia é que os brasileiros que não têm cartão possam pagar suas compras com os R$ 600 sem ter que sacar o benefício, pelo celularO uso do auxílio emergencial de R$ 600 direto nas maquininhas de cartão deve estar disponível no pagamento da próxima parcela do benefício. A estimativa é da Associação Brasileira das Empresas de Cartões (Abecs), que disse estar fazendo os ajustes tecnológicos necessários para liberar essa ferramenta.

A possibilidade de os brasileiros poderem fazer compras presenciais com o auxílio emergencial sem ter que sacar o benefício foi antecipada na semana passada pela Caixa Econômica Federal (CEF), que disse estar perto de formalizar essa parceria com as maquininhas.

A ideia é que o aplicativo do Caixa Tem, que hoje é usado pelos trabalhadores para movimentar os R$ 600 de forma remota, passe a gerar um QR Code que será lido pelas maquininhas e vai funcionar como um cartão de débito nos estabelecimentos comerciais.

"A maquininha vai estar apta a receber esse cartão", confirmou o presidente da Abecs, Pedro Coutinho. Ele disse que esse "processo já está bem debatido e claro" com a Caixa. Porém, afirmou que o setor ainda está trabalhando para implementar essa possibilidade. "O foco está na parte da tecnologia. A prioridade com a equipe da Caixa é resolver essa questão", explicou.

Coutinho sugeriu, portanto, que a operacionalização desse projeto será ampla e simples para o trabalhador, mas pode não ser tão imediata quanto havia sugerido a Caixa. "Se tudo ocorrer bem - e acredito que vai ocorrer - os adquirentes devem participar já na terceira parcela", afirmou o presidente da Abecs.

O executivo garantiu, contudo, que essa possibilidade deve estar disponível nas maquininhas de todas as empresas adquirentes que operam no Brasil e não apenas nas da Elo, que emite os cartões virtuais da Caixa que têm sido usados para o pagamento do auxílio emergencial. "É um projeto em que a Elo e a Caixa envolveram a indústria como um todo", disse.

Coutinho ainda contou que todas essas maquininhas serão remuneradas por esse serviço. "Definimos uma transação específica para essa transação do auxílio emergencial com o Banco Central. O valor será de no máximo 1,2% por transação. Como teoricamente os tíquetes serão pequenos, é melhor para o estabelecimento que cobre um percentual", disse o presidente da Abecs. Hoje, essas taxas, que são pagas pela empresa que vai vender seu bem ou serviço pela maquininha, costumam ser fixas.

Para a Abecs, o uso do auxílio emergencial pelas maquininhas será positivo para a população porque vai facilitar o emprego desses recursos e ainda reduzir a necessidade do saque nas agências da Caixa, evitando a formação de novas filas do banco. "Todos os adquirentes estão trabalhando junto com a Elo para operacionalizar e fazer esse repasse melhor. Que a população tenha nos adquirentes mais uma oportunidade de fazer a compra, ajudando a Caixa a ter menos fila, menos aglomeração de pessoas, com as pessoas indo apenas ao local em que vai fazer suas compras", concluiu Coutinho.

Crédito


Da mesma forma, as empresas de cartão se colocaram à disposição do governo para levar o crédito aos pequenos negócios brasileiros. Pedro Coutinho disse que o setor está em negociação com o Ministério da Economia e o Banco Central para fazer esse repasse às Micro e Pequenas Empresas (MPEs), que têm reclamado muito da dificuldade de obter financiamentos nos bancos na pandemia do coronavírus.

O presidente da Abecs explicou que o setor já tem contato e conhece a capacidade financeira desses empresários, já que eles usam as maquininhas nos seus negócios. Tanto que já liberou mais de R$ 62 bilhões em antecipação de recebíveis aos negócios brasileiros em meio ao coronavírus.

"Nos colocamos à disposição para fazer os repasses dos empréstimos através dos adquirentes. Com um parque de 10 milhões de maquininhas espalhadas pelo país, acreditamos que a indústria tem condições de contribuir com esse repasse", disse o executivo.

E ele está confiante de algo nesse sentido será anunciado em breve, já que este é um pleito das próprias MPEs e o governo já admitiu a dificuldade de fazer o crédito chegar a esse setor na pandemia. "Todas as conversas com o governo foram boas. Mas havia outras prioridades. E agora está chegando o momento em que o uso dos adquirentes pode ser uma boa alternativa. A Caixa viu isso no pagamento do auxílio emergencial", afirmou Coutinho.

"Além disso, estamos em discussão com o Sebrae de São Paulo a possibilidade de teste de levar os empréstimos do Sebrae por meio das credenciadores para as MPEs. Estamos tentando construir a folha de cooperação para fazer o primeiro teste. E a experiência sendo exitosa, pode ser expandida para outras iniciativas", acrescentou o diretor-executivo da Abecs, Ricardo Vieira.

Expectativas


Por conta dessas e de outras oportunidades, a Abecs ainda projeta um crescimento entre 1% e 3% para a indústria de cartões brasileira neste ano de 2020. O número é bem diferente dos balanços anteriores do segmento, que vinha registrando crescimentos de dois dígitos antes da pandemia. Porém, nesse cenário de crise, ainda é positivo. "O setor crescia a um ritmo de 19%. Com o fechamento do comércio, reduziu o ritmo a 14,1%", explicou Coutinho.

[SAIBAMAIS]A Abecs admite, contudo, que o baque causada pelo fechamento do comércio foi grande. Segundo a associação, cerca de R$ 22 bilhões deixaram de ser gastos pelos brasileiros através dos cartões em março. Isso porque o setor esperava movimentar R$ 170 bilhões, mas recebeu R$ 148,6 bilhões no mês, quando o comércio ainda funcionou normalmente por 15 dias.

Os dados de abril ainda não foram apresentados. Mas a Abecs já avisa que o impacto do novo coronavírus na economia brasileira de fato será pesado. Para a associação, a queda do Produto Interno Bruto (PIB) do país deve ser de 5,9% neste ano.

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