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Correio Braziliense

Queda de 4,7% do PIB é a melhor estimativa, admite Waldery

Secretário da Fazenda indicou que a projeção do governo para o baque da economia brasileira em 2020 deve ser revista


postado em 28/05/2020 15:07

(foto: Marcos Corrêa/PR)
(foto: Marcos Corrêa/PR)
O secretário da Fazenda do Ministério da Economia, Waldery Rodrigues, reconheceu nesta quinta-feira (27/05) que a previsão do governo de que a economia brasileira vai sofrer um baque de 4,7% neste ano em virtude do novo coronavírus ainda pode ser otimista. Ele afirmou que esta é "a melhor estimativa" para a queda do Produto Interno Bruto (PIB) e, portanto, deve ser revisada.

"Para o PIB de 2020, nossa melhor estimativa é uma queda de 4,7%. Esse número está sendo analisado momento a momento e será comunicado à medida que tenhamos novas informações", afirmou Waldery Rodrigues, ao ser questionado sobre qual será o real tamanho do tombo do PIB do Brasil neste ano em audiência pública da comissão mista que acompanha o programa de enfrentamento ao coronavírus no Congresso Nacional.

A projeção do governo de que o PIB do Brasil vai retrair 4,7% neste ano foi apresentada há apenas 15 dias pela Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Economia. Porém, já foi recebida com certa desconfiança pelo mercado. É que essa projeção considera que as medidas de isolamento social acabariam em todo o Brasil ainda em maio, ou seja, até domingo (31/05), o que não deve ocorrer mesmo com o esforço de cidades como Brasília e São Paulo para reabrir gradualmente o comércio.

Além disso, instituições financeiras e organismos internacionais como o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional (FMI) já dizem há um certo tempo que a pandemia do coronavírus vai provocar uma queda superior a 5% na economia brasileira. Algumas instituições consideram até retrações entre 6% e 8%. E a mediada das projeções do mercado financeiro já está em -5,89%, segundo o Boletim Focus do Banco Central (BC). 
 
 

Rombo nas contas públicas


Waldery Rodrigues ainda lembrou nesta quarta-feira que o rombo das contas públicas brasileiras pode chegar à marca inédita de 10% do PIB neste ano em razão da frustração de receitas e do aumento de gastos provocado pelo novo coronavírus. 

O déficit primário estimado atualmente pelo Ministério da Economia é de R$ 675,7 bilhões para o governo central e de R$ 708,7 bilhões para o setor público consolidado, que considera o governo federal, as estatais, os estados e municípios. Isso porque a pasta projeta uma perda de receitas de R$ 18,2 bilhões e um gasto extraordinário de R$ 399 bilhões com o coronavírus. É um gasto que, se não fosse o estado de calamidade, provocaria um contingenciamento de R$ 416 bilhões. "O resultado primário mais grave que tivemos foi em 2016, de 2,6% do PIB. Agora, será de 9,9%", admitiu Waldery, contando que essa situação ainda deve elevar o endividamento do governo de 78,5% do PIB para 93,5% do PIB neste ano.

O secretário lembrou que o governo federal foi desobrigado a cumprir a meta primária deste ano, que previa um déficit de R$ 124,1 bilhões, pela aprovação do estado de calamidade pública. Porém, destacou que essa conta terá de ser paga no pós-pandemia. Por isso, garantiu que não faltará recursos para a saúde e o amparo aos mais vulneráveis na crise da coronavírus, mas defendeu certo controle com os novos gastos, como a prorrogação do auxílio emergencial. "É um aumento sério e justificado, mas precisamos cuidar desse número", afirmou o secretário, dizendo que, por isso, as próximas medidas de enfrentamento à covid-19 devem ter atenção com o curto prazo e também com o pós-pandemia. 

Segundo Waldery, apesar de ter sido autorizado a gastar mais neste ano pelo estado de calamidade pública, o Brasil precisa estar atento à situação das suas contas públicas para que tenha condições de conduzir a retomada econômica depois da covid-19, de voltar a cumprir suas metas fiscais em 2021 e também de atrair investimentos externos que possam ajudar nessa retomada.

"Quando mais sinalizarmos que temos preocupação e zelo com a questão fiscal, mais o investidor estrangeiro aportará recurso no Brasil", afirmou o secretário, pedindo a compreensão do Congresso em relação a isso. "Temos que ter a perspectiva de como essa política não comprometerá nossa saída do coronavírus", disse aos parlamentares, que hoje analisam uma série de propostas que podem aumentar o impacto fiscal do coronavírus, como a própria prorrogação do auxílio emergencial.

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