Economia

''Tinha impressão que estávamos começando a andar'', diz Guedes sobre PIB

Ministro da Economia disse que Brasil parecia estar decolando no início do ano Por isso, creditou queda do PIB ao coronavírus

Marina Barbosa
postado em 29/05/2020 10:41
 (foto: Marcos Correa/PR)
(foto: Marcos Correa/PR)

Paulo GuedesO ministro da Economia, Paulo Guedes, participava de uma conferência quando o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil caiu 1,5% já no primeiro trimestre deste ano. Ele disse, então, que vai pedir para desagregar esse dado mês a mês para entender quanto dessa queda veio da pandemia do novo coronavírus. Isso porque, para Guedes, o Brasil "estava decolando" antes do choque da covid-19.

"Saiu agora o PIB mostrando recuo. Eu vou até pedir para desagregarmos, para vermos se realmente nos primeiros dois meses nós já estávamos decolando e se no terceiro mês a crise pegou e nos derrubou. Ou se realmente já estávamos em um estado meio anêmico", afirmou o ministro Paulo Guedes, nesta sexta-feira (29/5), durante o webinar Gás para o Desenvolvimento.

Guedes alegou que, antes da pandemia do novo coronavírus, os dados do governo mostravam que a economia brasileira estava se recuperando. "A impressão que eu tinha, com as exportações 6% acima do ano passado, investimentos diretos acima do primeiro trimestre do ano passado, com os impostos 20% acima no primeiro bimestre... As indicações eram de que nós estávamos começando a andar. Aparentemente o impacto no terceiro mês... A crise chegou aqui", argumentou.

O ministro da Economia reconheceu, por sua vez, que o novo coronavírus "atingiu fortemente" a economia brasileira. E disse que essa crise veio antes mesmo dos decretos de isolamento social, na segunda quinzena de março. Segundo ele, a crise começou a ser sentida já quando a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou o estado de pandemia global, em 11 de março.

Guedes também admitiu que, passados mais de dois meses do distanciamento social, está preocupado com a "segunda onda" da pandemia, que é a crise econômica. "Quanto mais tempo demorarmos o isolamento social, conceitualmente falando estamos melhorando a saúde, mas estaremos aumentando o impacto dessa onda. Temos que compreender isso, porque você reduziu a produção e ficando meses com a produção reduzida você pode entrar em uma recessão e pode inclusive virar uma depressão", afirmou.

Saída da crise

O ministro reconheceu até que a saída dessa crise pode não ser tão rápida quanto vem dizendo. Guedes alegou que ainda está confiante de que a recuperação será rápida, em V, já que os sinais vitais da economia ainda estão vivos. Porém, afirmou que, dependendo da reação da sociedade brasileira, esse V pode ficar meio torto ou até se transformar em um U ou um L. Ou seja, transformar-se em uma recessão e possivelmente uma depressão.

"Estamos furando a onda da saúde e depois vamos furar a da economia. Caímos rápido e a volta depende de nós mesmos. Eu falo em V porque os sinais vitais estão mantidos. Mas, evidentemente, dependendo de nossa reação, pode ser um U ou pode ser até um L, cair e virar uma depressão. Só depende de nós. Eu prefiro ainda trabalhar com o V. Pode ser um V meio torto? Pode, mas ainda é um V", afirmou.

[SAIBAMAIS]Para garantir essa retomada acelerada, Guedes pediu, contanto, colaboração. O ministro também defendeu que as pessoas e as instituições "não se joguem umas contra as outras" e disse que será preciso focar nas reformas e nos investimentos privados.

"Isso veio de fora. O vírus veio de fora e está atacando o mundo inteiro. É cretino atacar o governo do próprio país, em vez de ajudar o governo do próprio país em um momento desse. Ninguém quer apoio a erros", conclui Guedes, dizendo que o Brasil vai precisar tanto da saúde, quanto da economia saudável para sair dessa pandemia.

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