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Correio Braziliense

Ibovespa sobe 2,15% e vai a 93 mil pontos; dólar cai para R$ 5,08

Moeda americana teve queda generalizada. Para especialista, dólar pode chegar a R$ 4,50, caso ritmo se mantenha


postado em 03/06/2020 19:51 / atualizado em 03/06/2020 19:56

(foto: Agência Brasil/Divulgação)
(foto: Agência Brasil/Divulgação)
Diante do otimismo internacional com a reabertura das economias e os incentivos econômicos de Bancos Centrais pelo mundo, o índice Ibovespa fechou esta quarta-feira (3/06) em forte alta, subindo 2,15% e alcançando os 93 mil pontos — melhor patamar desde 6 de março. No câmbio, o dólar comercial fechou vendido a R$ 5,08, com queda de 2,38%.

A moeda americana não se desvalorizou apenas frente ao real. Nos últimos dois dias, houve um movimento de desvalorização geral do dólar, em especial em relação a moedas de países emergentes. Analistas acreditam que emissão de trilhões de dólares esteja contribuindo para isso, mas não é o motivo principal. 

Para Victor Beirute, economista da Guide Investimentos, diante da tendência atual de queda do dólar, ele pode voltar a cair para menos de R$ 5, mas o cenário é incerto. "Não é impossível. Investidores estão voltando a gostar de retorno maior. E, no momento atual, o retorno é maior em países emergentes. Se esse movimento continuar nas próximas semanas, e o mercado entender que a agenda de reformas do governo vai se concretizar, o dólar pode cair ainda mais, chegando a R$ 4,50 em uma projeção bastante otimista", disse ele.

Ele explica também que a alta na bolsa brasileira é fruto de um movimento que vem de fora do país, uma vez que a recuperação da economia global indica que a pior parte da crise já pode ter passado. "Mercados emergentes têm uma recuperação mais forte, mas a melhora é generalizada. Estamos em um momento que as economias estão conseguindo voltar, então há uma expectativa de recuperação em 'V'. A primeira recuperação vai ser mais rápida, em especial no caso de empresas que estavam completamente paradas, quase sem atividade. A Europa está voltando a funcionar. Esses fatores acabam ofuscando tanto as manifestações que começaram nos EUA quanto a tensão do país com a China", disse Beirute.

O especialista acredita ainda que, no caso das tensões entre Estados Unidos e China, o momento de maior apreensão foi na última sexta-feira (29), quando houve ameaças ao acordo comercial. Atitudes firmes prometidas pelo presidente Donald Trump não se concretizaram. Isso, explica Victor, somado à grande liquidez, tem contribuído para o bom humor nas bolsas. 

"Nunca os Bancos Centrais incentivaram tanto. Os pacotes de recuperação econômica ajudam a economia, que já está voltando. Tudo isso em um contexto de juros baixos. Com a pandemia, o mercado inteiro entrou em pânico e voltou para os ativos de segurança. Quando o risco é muito alto, você quer segurança. Mas agora, com essas sinalizações positivas, as pessoas que procuram um risco maior com retorno maior começam a retornar para a bolsa", disse ele.

Nesta quarta, o IBGE divulgou ainda os números da produção industrial do Brasil relativos ao mês de abril. Houve queda de 18,8% em relação ao mês anterior, resultado melhor que o previsto. "Veio melhor que as expectativas. Expectativas estavam em 27%, mais ou menos. Veio quase 10% abaixo. Acho que a gente só superestimou isso, mas ainda temos uma projeção de alta queda no PIB até o fim do ano. Mesmo assim, o dado ainda é devastador, o pior da série histórica", completou Victor Beirute.

*Estagiário sob a supervisão de Vicente Nunes

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