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Correio Braziliense

Bolsa fecha em leve alta aos 93,8 mil pontos; dólar sobe e vai a R$ 5,13

Especialista acredita que há "excesso de otimismo" nos mercados financeiros do mundo, uma vez que o cenário econômico ainda é incerto


postado em 04/06/2020 19:52 / atualizado em 04/06/2020 21:14

(foto: Agência Brasil/Divulgação)
(foto: Agência Brasil/Divulgação)
Após três dias de forte alta, o índice Ibovespa fechou esta quinta-feira (4/6) em leve alta de 0,89%, aos 93.828 pontos. O otimismo dos últimos dias no mercado internacional esfriou na abertura, após a divulgação de que os dados de pedidos de seguro desemprego nos Estados Unidos havia ultrapassado o previsto pela Bloomberg. Já no câmbio, o dólar voltou a subir, fechando a sessão com alta de 0,89% e vendido a R$ 5,13, máxima do dia. 

Na Europa, o Banco Central Europeu anunciou ampliação dos estímulos monetários para a recuperação econômica no continente. O programa prevê a compra de títulos públicos e privados. A injeção prevista inicialmente era de 750 bilhões de euros até o fim do ano, mas, com a ampliação anunciada hoje, serão mais 600 bilhões de euros, totalizando 1,350 trilhão. Na Alemanha, um novo pacote de 130 bilhões de euros foi anunciado, visando o período pós-pandemia.

A injeção de dinheiro na economia mundial por Bancos Centrais têm gerado grande liquidez no mercado. Isso, somado ao otimismo pela reabertura das economias e as expectativas do desenvolvimento de uma vacina contra o novo coronavírus, fez com que as bolsas disparassem nos últimos dias. É o que explica Felipe Queiroz, economista e pesquisador da Unicamp. 

"Alguns movimentos estão ocorrendo de forma simultânea. No mercado internacional há uma estabilização um pouco maior, uma retomada por causa da expectativas de vacinas e abertura dos mercados. Há um otimismo com a retomada global. Concomitantemente a isso, os ativos no Brasil ficaram muito mais baratos, em decorrência do que houve em março, a fuga com a pandemia. Empresas que estavam subavaliadas, ficaram mais baratas no dólar", disse ele.

No entanto, Queiroz avalia que o movimento de fortes altas no momento em um momento de crises em várias áreas da sociedade não se justifica. Isso porque, diante de protestos, crises políticas locais e internacionais e uma possível guerra comercial entre Estados Unidos e China, o mercado pode estar com um "excesso de otimismo". "Tem um fator na teoria econômica chamado efeito Minsky – algo que muitos economistas não têm comentado. Essa teoria fala sobre o excesso de otimismo em relação aos ativos, ao mercado, o que seria a beira do precipício. 

Os ativos deixam de ser avaliados tecnicamente, e só se faz especulação. Neste momento, todos os indicadores apontam para uma cautela muito maior, não para uma subida rápida da bolsa. Desemprego está alto, produção industrial baixa. Dados macroeconômicos não apontam para uma recuperação rápida", pontuou o economista.

Felipe destacou ainda que há um acréscimo expressivo de pequenos investidores na bolsa desde o ano passado. O perfil desses investidores, segundo ele, é de pessoas da classe média que trocaram a renda fixa ou títulos públicos por investimentos de maior risco, buscando maior retorno. "Como a inflação está baixa e ela pode fechar abaixo do mínimo da meta, a taxa Selic vai reduzindo. E a rentabilidade desses ativos também. Esses investidores acabam migrando para o mercado acionário. Mas muitos acabam caindo numa ilusão, achando que terão retorno imediato".

Nesta quinta o J.P. Morgan, maior banco de investimentos do mundo, cortou a projeção da taxa Selic para 1,75% ao fim de 2020. A projeção anterior era de 2,50%. Já o Boletim Focus, do Banco Central, divulgado na última segunda-feira, prevê taxa de 2,25% ao fim do ano.

Já no câmbio, Felipe Queiroz explica que a alta do dólar, após vários dias de queda, ocorre porque o retorno de capital ao mercado financeiro brasileiro não é um movimento consistente. "O câmbio está assim por causa da expectativa da recuperação. Capitais que saíram olham e falam: 'vamos voltar, os ativos estão baixos'. Quando isso ocorre, a cotação tende a cair por causa da entrada de capitais, e os ativos sobem. A oscilação ocorre porque não é um movimento consistente", completa.


*Estagiário sob a supervisão de Vicente Nunes

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