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Correio Braziliense

Estudo do Ipea aponta que DF tem maior potencial para home office

Os dados mostram uma correlação positiva entre renda per capita e número de pessoas em teletrabalho


postado em 06/06/2020 07:00

(foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
(foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
Estudo realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostra que o Distrito Federal é unidade federativa do país com maior potencial de trabalho a distância. O Piauí, por outro lado, tem o menor índice. Os dados mostram uma correlação positiva entre renda per capita e número de pessoas em teletrabalho. Assim, regiões com economias de baixa renda têm uma parcela menor de trabalhos que podem ser realizados a distância. 

Geraldo Góes, pesquisador do Ipea, aponta que, mesmo antes da pandemia, já se percebia o aumento do teletrabalho. Contudo, ela foi o grande catalisador dos estudos feitos em todo mundo. Em uma pesquisa realizada na Universidade de Chicago, analisando as classificações ocupacionais de 86 países, a qual inspirou o estudo do Ipea, o Brasil ocupou a 47ª posição, com um percentual de 25,7% de teletrabalho, enquanto Luxemburgo ficava em primeiro lugar. 

Ainda foi possível classificar grupos de trabalho com maiores e menores índices. “Em um grande grupo, nós identificamos, primeiro, os profissionais de ciências intelectuais. Desses, os diretores e gerentes são as categorias com mais potencial de teletrabalho. As com menos potencial são basicamente os membros das Forças Armadas, policiais e militares, além dos prestadores de serviços médicos e de enfermagem, os operadores e instaladores de máquinas e, também, o setor agrícola”, informou Góes. Os pesquisadores afirmam que, na retomada das atividades econômicas após a pandemia, deve-se levar em conta novas modalidades de trabalho que emergiram no isolamento social e que provavelmente serão utilizadas depois. 

O morador do Varjão Luiz Antônio, de 25 anos, precisou reinventar o trabalho com a pandemia. Ele realiza compras de supermercado através de demandas via aplicativo. Antes, ele estava desempregado, mas com o isolamento social e pessoas do grupo de risco sem sair de casa, essa foi uma oportunidade em meio à quarentena.

“É algo arriscado, mas, como já estava desempregado por um tempo, e quando consegui um emprego temporário o comércio fechou, tive a sorte de conseguir essa atividade”, relata. Ele ainda complementa que, no momento, ficar em casa, para ele, não seria uma opção. “De qualquer forma, teria que sair para procurar trabalho ou pensar em fazer algo pra ajudar em casa.” 

Por outro lado, Adriano Santos, coordenador de TI da Caixa Econômica Federal, trabalha remotamente desde o início das medidas de distanciamento social. De acordo com ele, as demandas relacionadas à tecnologia estão sendo bem-resolvidas a distância. No entanto, a “gestão de pessoas fica um pouco fragilizada”. “Por mais que você saiba que as pessoas estão trabalhando muito mais do que o normal, você não consegue orquestrar as tarefas da melhor forma. Eu gosto muito de olhar no olho, de ver as pessoas, de conversar”, pontua. 

Apesar disso, Adriano acredita que a Caixa vai apoiar o teletrabalho após a pandemia devido aos resultados positivos gerados. “Vão incentivar ao máximo as pessoas a aderirem a um contrato de home office que a Caixa já tem”, pondera. “Eu acho que o normal não vai ser o mesmo normal.”

* Estagiários sob supervisão de Odail Figueiredo

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