Economia

BC diz que vai ampliar crédito

Correio Braziliense
postado em 06/06/2020 04:04
O Banco Central (BC) está preparando novas medidas para tentar ampliar o acesso das empresas a financiamentos bancários durante a pandemia do novo coronavírus. Porém, acredita que, ao contrário do que as micro e pequenas empresas têm dito, o crédito está chegando na ponta. O problema, segundo o diretor de Política Econômica do BC, Fabio Kanczuk, é que houve um “surto de demanda” que não pôde ser suportado de imediato pelos bancos.

“A gente vai anunciar mais coisas em breve. Vai aperfeiçoar algumas coisas”, garantiu Kanczuk, em live realizada com instituições financeiras ontem. Ele disse que considera algumas das críticas feitas ao BC injustas, porque o mercado de crédito está fluindo bem na pandemia do coronavírus. “Estamos notando que está chegando, sim, nas pequenas empresas, está funcionando direitinho”, afirmou Kanczuk.

O que aconteceu, segundo ele, foi um aumento brusco de demanda que acabou não sendo suportado pelos bancos. “As pessoas reclamam porque a demanda subiu tanto que a oferta, apesar de ter crescido bastante, não está conseguindo satisfazer (a procura)", argumentou Kanczuk.

Segundo o diretor, o crédito está fluindo mais para as empresas do que para pessoas físicas, que, por sua vez, estão sendo beneficiadas por renegociações de contratos. De acordo com dados do BC, os bancos emprestaram R$ 491,4 bilhões para as empresas e as famílias brasileiras desde o início da pandemia. Além disso, mais R$ 141 bilhões foram renovados e R$ 550 bilhões repactuados, por meio da prorrogação das parcelas que venceriam durante a pandemia.

Pelos números, houve um aumento de 40% do crédito para as empresas e de 8% para as famílias. O problema é que a maior parte dos recursos está ficando com as grandes empresas: segundo a autoridade monetária, elas financiaram R$ 281,7 bilhões desde março, enquanto as médias conseguiram R$ 57 bilhões e as pequenas, R$ 39 bilhões.

Kanczuk não revelou quais novas medidas de crédito estão em análise. No início da semana, o presidente do BC, Roberto Campos Neto, afirmou que o programa de financiamento da folha será reformulado em breve. A ideia é liberar a linha de crédito mesmo para as empresas que não garantirem o emprego a todos os funcionários. Dos R$ 40 bilhões do programa, só R$ 2,4 bilhões foram emprestados. Muitas empresas alegaram que não tomavam os recursos para poderem ficar livres para demitir empregados, em caso de necessidade. (MB)




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