Economia

Empresas aéreas vão se reconfigurar com fusões, diz presidente da Gol

Paulo Kakinoff avalia que acordo entre as concorrentes Latam e Azul deve se replicar após a pandemia para sobrevivência das companhias, mas garante que não faz parte da agenda da Gol

Simone Kafruni
postado em 23/06/2020 15:20

Paulo KakinoffO presidente da Gol Linhas Aéreas, Paulo Kakinoff, aposta em uma reconfiguração do setor aéreo após a pandemia, com fusões entre companhias. A afirmação foi feita ao responder sobre como avalia o acordo feito entre as concorrentes Azul e Latam, durante live do bloco O futuro do transporte aéreo no Brasil, realizada nesta terça-feira (23/6), pela Airport Infra Expo, como parte da série on-line ;AirCovid;.

Segundo o executivo, a Gol se posiciona de forma positiva ao codeshare (acordo no qual duas ou mais companhias aéreas compartilham o mesmo voo) da Azul e Latam. ;Isso pode endereçar o desequilíbrio entre oferta e demanda, que é o que mais impacta nas operações em crises agudas como essa, por acelerar o processo de racionalização da sua oferta;, disse. Para Kakinoff, na esteira pós-covid, no mundo todo, haverá uma reconfiguração no número de players. ;Os ajustes passarão por algumas empresas se inviabilizando, ao não encontrarem alternativas, decretando insolvência. Outras, reduzirão seu tamanho. E haverá uma quantidade significativa de fusões;, estimou.

As fusões serão alternativas às aquisições, de acordo com Kakinoff, porque as empresas estarão com liquidez muito baixa. ;A fusão pode ocorrer em estágios menos elaborados e menos complexos, na forma de parcerias e codeshares, como a gente vê entre aqui (entre Latam e Azul). Todos esses movimentos têm tendência de catalisar oferta. A gente vê esses níveis de cooperação de maneira positiva e benigna para a velocidade de aceleração na retomada;, destacou.

No entanto, Kakinoff assegurou que não faz sentido na agenda da Gol, que tem feito sua adaptação ao cenário ;de forma independente;. ;Temos conseguido ampliar nossa própria capilaridade com parceria com a Voepass, que nos ajuda a endereçar o mercado regional. A Gol tem 40% de participação de mercado, sem a necessidade de acordo, mas o movimento é benigno;, reiterou.

Com relação às dívidas da Gol, Kakinoff disse que a companhia teve uma evolução importante na gestão de todos os compromissos financeiros. ;A Gol firmou, com os colaboradores, um acordo inédito no mundo todo, que deverá servir de modelo a ser replicado pela indústria, garantindo estabilidade em troca de redução da remuneração do grupo, até o fim de 2021;, pontuou. Com os fornecedores, proprietários dos aviões operados pela empresa, o CEO disse estar em um estágio avançado de renegociação.

;A Gol tem um vencimento agora em agosto, cujos recursos para amortização temos em caixa. E, fora isso, outro grande vencimento só no fim de 2023, o que nos dá fôlego de tempo para reconstituir nossas posições financeiras até lá;, explicou. Sobre o socorro do governo às aéreas, Kakinoff afirmou que as tratativas com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) estão evoluindo, mas a linha de crédito ;não necessariamente; será aproveitada pela Gol.

;Há um alto nível de tecnicidade e desafios para execução para que essa linha tenha, nas suas configurações, um nível de atratividade balanceado, para os investidores que irão compor 30%, para as companhias que tomarão o crédito, e para o consórcio de bancos privados e o próprio BNDES;, explicou. ;Tenho convicção de que se configurará em breve numa alternativa para o setor, mas não necessariamente será utilizada ou se apresenta como única alternativa;, disse.

[SAIBAMAIS]Como gestor, no entanto, Kakinoff afirmou que é seu dever constituir uma alternativa em caso de necessidade para recomposição do caixa da empresa. ;A recuperação do mercado doméstico levará meses e a do internacional, anos. Nós temos uma baixa dependência desse mercado. O modelo de operação, com frota padronizada, nos dá vantagem, porque conseguimos reacomodar nossos aviões, ao contrário de quem tem aviões específicos para voos internacionais;, comparou.

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