Economia

Guedes diz que não perdeu suas convicções liberais

Em meio ao aumento de gastos públicos no combate à pandemia, ministro admitiu que, "em momentos de crise sistêmica" é preciso recorrer ao Estado, mas reforçou que não abandonou as ideias que sempre defendeu

Rosana Hessel
postado em 30/06/2020 14:05
 (foto: Wilson Dias/Agência Brasil)
(foto: Wilson Dias/Agência Brasil)
Paulo GuedesEm meio às discussões sobre o aumento dos gastos públicos no combate à crise provocada pela pandemia de covid-19 que devem fazer a dívida pública explodir, o minsitro da Economia, Paulo Guedes, garantiu que não perdeu as raízes liberalistas que ele sempre defendeu, buscando um Estado menos intervencionista no mercado.

;Em nenhum momento minhas convicções liberais estão abaladas pela crise;, afirmou Guedes aos parlamentares nesta terça-feira (26/06), durante audiência pública da comissão mista que analisa medidas adotadas contra a covid-19. ;Estamos até fragilizados por não termos uma economia forte e vigorosa;, lamentou.

Contudo, o ministro reconheceu que, na maior parte dos tempos, o mundo acaba se comportando como os clássicos e que o pensamento liberal fica mais difícil de ser defendido em momentos de turbulência. ;Quando há crises sistêmicas, é preciso recorrer ao Estado. Mas ele será mais forte quanto menos ele intervir na economia;, alegou.

Para o ministro, se o país fosse uma economia de mercado mais forte, a renda per capita seria mais alta e a população não estaria tão empobrecida. Ao ver dele, uma economia de mercado mais aberta, como os Estados Unidos, acaba tendo mais espaço fiscal para intervir no mercado quando necessário, algo que o Brasil não é. ;Não é o tamanho do Estado que importa, mas a questão de força;, afirmou aos parlamentares.

Ao analistar os impactos da crise na economia brasileira, o ministro retomou o discurso otimista alheio aos dados nada animadores da atividade que pipocam mês a mês e que confirmam que o país entrou em uma recessão no primeiro trimestre de 2020. ;O Brasil estava começando a decolar. Estávamos recomeçando a reaceleração econômcia;, afirmou ele, na contramão de estudos que apontam fraco desempenho econômico do país mesmo antes da chegada do novo coronavírus.

;Tem muita gente pessimista. É normal. Acho que, realisticamente, o Brasil pode se recuperar antes do esperado;, garantiu Guedes. Ele defedeu medidas tanto na economia quanto na área da saúde e fez uma analogia da retomada a um pássaro, onde a economia seria uma asa e a saúde a outra. ;Para voar, o passaro precisa bater as duas asas;, disse.

De acordo com o ministro, o governo vai ;trabalhar duro; nos próximos três meses para a retomada do crescimento, privilegiando, medidas sociais, e apenas encaminhando reformas estruturais se o Congresso demandar, para ;destravar os investimentos;. Ele citou a carteira Verde Amerela e projetos de infraestruta como medidas complementares nesse sentido Contudo, ele admitiu que os pacotes de ajuda finaceira às empresas foram reformulados, mas disse que a demanda é baixa e será preciso mais tempo apara medir o impacto dos programas.

Ao avaliar o cenário externo, o ministro disse que o fato de o Brasil não estar integrado com as grandes cadeias globais de produção acabou ajudando a minimizar o impacto da crise global provocada pela covid-19 nas exportações. ;O choque externo não atinngiu o Brasil e as exportações continuam crescendo, porque a nossa agricultura tem um diferencial comparativo e o mundo continua demandando alimentos;, destacou. Contudo, reconheceu que o setor interno foi atingido ;fortemente pela crise;.

[SAIBAMAIS]Em relação às cobranças na demora para o envio da proposta de reforma tributária do Executivo ao Congresso, Guedes lamentou o não encaminhamento no ano passado. ;Ela estava pronta;, disse ele em referência à medida que previa a volta da CPMF, mas foi deixada de lado pelo presidente Jair Bolsonaro. O então secretário da Receita Federal, Marcos Cintra, principal defensor da ideia foi demitido do cargo e, desde então, o governo não conseguiu encontrar uma forma de encaminhar uma proposta que não tenha uma previsão de aumento de arrecadação.

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