Economia

Ipea: Pandemia provoca R$ 52 bilhões em perdas salariais em maio

Levantamento do Instituto com base em dados da Pnad, revela que trabalhadores formais encolheu 18%, em média, no país e trabalha

Rosana Hessel
postado em 02/07/2020 17:11
Levantamento do Instituto com base em dados da Pnad, revela que trabalhadores formais encolheu 18%, em média, no país e trabalhaA covid-19 está fazendo estragos no mercado de trabalho e provocou R$ 52 bilhões em perdas salariais. Esse é um dos dados do levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) comparando o impacto da pandemia no mercado de trabalho, divulgado nesta quinta-feira (02/07).

De acordo com o estudo do Ipea, a renda média dos trabalhadores formais encolheu 18%, ou seja, eles receberam 82% do previsto inicialmente. Os trabalhadores informais e com menor escolaridade foram os mais afetados.

Pelas contas de Sandro Sacchet, pesquisador do Ipea e responsável pelo levantamento, a perda da massa total de rendimentos efetivos dos trabalhadores formais foi de R$ 34 bilhões em maio, somando R$ 158 bilhões. ;Se considerarmos essa queda na renda salarial junto com as perdas de quem foi demitido em maio, chegamos de perda salarial em torno de R$ 52 bilhões;, destacou. Essa essa diferença ocorreu sobre a estimativa de R$ 210 bilhões para a renda total esperada sem o impacto da pandemia no mercado de trabalho.

O estudo levou em consideração os microdados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua e da massa de rendimentos captada na PNAD Covid-19, ambas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

As perdas salariais foram mais expressivas entre os trabalhadores do Sudeste, de acordo com Sacchet. ;A região foi a mais afetada pela pandemia em maio. É provável que esse quadro mude nos próximos meses se houver uma evolução maior da covid-19 em outras regiões que ainda não alcançaram o pico de contágio da doença;, explicou.

[SAIBAMAIS]O estudo comparou as rendas em diferentes grupos demográficos e constatou ainda que os trabalhadores por conta própria perderam 40% da renda enquanto quem tinha carteira assinada recebeu 92% do anteriormente previstos. Os funcionários públicos tiveram 95% dos respectivos rendimentos previstos.

O estudo do Ipea também comparou a renda domiciliar e os impactos do auxílio emergencial de R$ 600 destinado aos trabalhadores informais e mais pobres. ;O que verificamos é que o auxílio emergencial permitiu manter uma renda apesar da pandemia, mas o impacto sobre a massa de rendimento não foi suficiente para compensar as perdas. Pelas nossas estimativas, o auxílio emergencial conseguiu compensar cerca de 45% de toda a perda da massa salarial no mês de maio;, destacou. Ele considerou o valor pago pelo benefício no quinto mês do ano, de R$ 23,5 bilhões, para os cálculos.

Sacchet reconheceu a importância do socorro emergencial que foi ampliado pelo governo de três para cinco parcelas no combate à desigualdade. ;O auxílio emergencial tem ajudado a evitar uma explosão de desigualdade , porque a pandemia foi muito grave. Apesar de ele não suficiente para minimizar as perdas salariais, esse benefício está sendo fundamental para os domicílios da população mais pobre;, destacou.

Pelos cálculos da equipe econômica, o impacto fiscal do auxílio emergencial passará de R$ 150 bilhões para R$ 254 bilhões com o aumento das parcelas.

Ao comparar a evolução do índice de Gini das rendas individuais e domiciliares do trabalho, o estudo do Ipea constatou que, no primeiro trimestre de 2020, a desigualdade dos rendimentos do trabalho caiu para 0,525, no caso da renda domiciliar, e 0,506 no caso da renda individual. No quarto trimestre de 2019, esse indicador estava em 0,533 e em 0,509, respectivamente e vinha subindo, como reflexo do aumento da desigualdade nos últimos anos devido à recessão. ;O aumento do Gini até o fim de 2019 deve-se à retomada da ampliação da desigualdade entre os extremos da renda, além da expansão da parcela da população no setor informal da economia que apresenta maior desigualdade;, destacou o autor do estudo.

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