Economia

E-commerce: contratações devido aos supermercados online têm aumento

No país, o GPA contratou mil funcionários entre março e abril para trabalhar com pedidos feitos pela internet, seja nos centros de distribuição, seja nas lojas on-line

Alessandra Azevedo
postado em 05/07/2020 07:00
 (foto: Minervino Júnior/CB/D.A Press )
(foto: Minervino Júnior/CB/D.A Press )
No país, o GPA contratou mil funcionários entre março e abril para trabalhar com pedidos feitos pela internet, seja nos centros de distribuição, seja nas lojas on-lineEm meio ao fechamento de milhares de postos de trabalho nos últimos meses, movimento potencializado pela pandemia do novo coronavírus, serviços essenciais, como supermercados, ainda conseguem contratar funcionários. Com a inauguração do primeiro centro de distribuição de e-commerce em Brasília, na última quarta-feira, o Grupo Pão de Açúcar (GPA) gerou 150 empregos diretos na capital, com o potencial de chegar a até 500.

No país, o GPA contratou mil funcionários entre março e abril para trabalhar com pedidos feitos pela internet, seja nos centros de distribuição, seja nas lojas on-line. Com outros três centros de distribuição que devem ser inaugurados até o fim do ano ; em Minas Gerais, Ceará e Pernambuco ;, a expectativa é de abertura de mais 500 vagas.

Com o aumento da procura por supermercado on-line, o grupo espera fechar o ano com, pelo menos, 1,6 mil contratações só no e-commerce. A capacidade inicial de operação de cada centro pode triplicar, de acordo com a demanda, o que levaria à busca de novos funcionários, explica o diretor de e-commerce Rodrigo Pimentel. ;Em Brasília, dobramos a capacidade de atendimento, mas temos condições de aumentar ainda mais;, diz.



Demanda crescente


O serviço de supermercado com entrega em casa já começava a virar uma tendência antes da pandemia. Nos últimos dois anos, as operações do Grupo Pão de Açúcar no e-commerce cresceram, em média, 40%. Um processo natural, pelo comportamento cada vez mais digitalizado das pessoas, em diversas áreas. Mas em março, mês em que o país decretou estado de calamidade pública e milhões de brasileiros se fecharam em casa para fugir da covid-19, a alta foi de 80%.

Devido às recomendações de isolamento social, pessoas que, antes, não conheciam o serviço começaram a usá-lo. O número de clientes acima de 60 anos no e-commerce alimentar do Extra, do GPA, quintuplicou em menos de três meses. ;Foi um crescimento muito surpreendente, mas intuitivo, porque são pessoas que não podem sair;, observou Pimentel. Segundo ele, 38% dos clientes do e-commerce desde março têm mais de 50 anos.

A demanda acima do esperado levou o GPA a antecipar a inauguração do centro de distribuição de Brasília para o início de julho. Ela estava prevista para o fim do ano, antes da Black Friday, em novembro. O mesmo aconteceu no Rio e em São Paulo, além dos outras três unidades que estão no radar. O grupo tinha dois centros em março, no início da pandemia, e deve fechar o ano com oito.


Expectativas


;Os planos de ampliação já estavam aprovados. O que fizemos foi antecipar a execução. O que faríamos em dois anos fizemos em três meses;, conta Pimentel. ;Ninguém está comemorando esses números em função de terem acontecido dentro de um problema social e de saúde. Não tem lado bom na pandemia. O que estamos fazendo é reagir à demanda de um setor essencial, que coloca comida na casa das pessoas;, afirma.

Pimentel não acha que a demanda vá diminuir depois da pandemia. ;Esse interesse deve se manter, porque a maior fronteira para o e-commerce alimentar era conhecê-lo;, considera. Além da comodidade recém-descoberta por muitas pessoas, ele ressalta que o preço é o mesmo das lojas físicas. ;O serviço, essencial, neste momento, passa a ser considerado na rotina de muita gente;, acredita.


;Ninguém está comemorando esses números em função de terem acontecido dentro de um problema social e de saúde. Estamos reagindo à demanda, colocando comida na casa das pessoas;
Rodrigo Pimentel, diretor de e-commerce do Grupo Pão de Açúcar

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