Economia

Venda de partes da Petrobras vira briga judicial entre governo e Congresso

Ministérios de Minas e Energia e da Economia reagem a ação judicial, movida pelo Congresso, que pede a suspensão da venda de unidades da Petrobras. Governo argumenta que o STF decidiu favoravelmente pela operação

Simone Kafruni
postado em 07/07/2020 06:00
 (foto: Luciana Ourique/Petrobras)
(foto: Luciana Ourique/Petrobras)
Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, é uma das unidades que podem ser vendidas: briga no SupremoDepois que as Mesas Diretoras do Senado e da Câmara dos Deputados entraram com um pedido de liminar no Supremo Tribunal Federal (STF) para pedir o bloqueio da venda de refinarias da Petrobras, na semana passada, os ministérios de Minas e Energia e da Economia divulgaram nota conjunta, ontem, para reforçar que a Suprema Corte decidiu favoravelmente pela alienação do controle acionário de empresas públicas e de economia mista.

No entanto, o STF estipulou que, para vender a holding, é preciso autorização legislativa, obrigação que não se aplica à alienação do controle de suas subsidiárias e controladas. No requerimento apresentado pelas duas Casas Legislativas, os técnicos criticam o que consideram ;privatização branca;, que seria a criação artificial de subsidiárias para vender a empresa principal aos poucos.

A nota dos ministérios explica que a decisão da Petrobras de vender parte de seus ativos de refino de petróleo ;está alinhada às suas diretrizes e objetivos estratégicos e, ao mesmo tempo, coaduna com o objetivo da Política Energética Nacional de promover a livre concorrência no setor, bem como preservar os interesses do consumidor;.

Em setembro de 2016, a Petrobras anunciou, no plano 2017-2021, que iria focar seus investimentos no setor de exploração e produção de petróleo. A empresa, então, passou a adotar estratégias para a promoção de política de preços de mercado e de maximização de margens da cadeia de valor, bem como reduzir o risco na atuação em exploração e produção, refino, transporte, logística, distribuição e comercialização, por meio de parcerias e desinvestimentos.

Em abril de 2019, a Petrobras incluiu em seus projetos de desinvestimentos oito refinarias, totalizando 1,1 milhão de capacidade diária de processamento de petróleo, o equivalente a cerca de 50% do parque de refino brasileiro. As refinarias Regap, Rlam, Rnest, Lubnor, Reman, Refap, Repar e SIX deverão ser alienadas até 2021, de acordo com o Termo de Compromisso de Cessação de Prática celebrado, em junho de 2019, entre a Petrobras e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). O órgão de defesa da concorrência entendeu haver elevada concentração no segmento de refino, recomendando que a venda de ativos de refino ocorra por completo, sem participação ativa ou passiva da Petrobras no quadro societário do alienante; e, que se promova a concorrência regional.

;Dessa forma, os Ministérios de Minas e Energia (MME) e da Economia (ME) reforçam a necessidade de se fazer cumprir a decisão prévia do STF e apoiam o processo de transição do segmento de refino para um quadro de maior pluralidade de agentes, mais aberto e dinâmico. Os ministérios têm trabalhado para preparar o setor para essa transformação, em conjunto com outros órgãos e com ampla participação do setor, de entidades representativas e demais interessados, por meio da iniciativa Abastece Brasil, com base na governança, na estabilidade, com segurança jurídica e regulatória, e na previsibilidade, condições fundamentais para a realização de investimentos no setor;, concluiu.

Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação