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Correio Braziliense

Pandemia reduz exportações da indústria brasileira

De acordo com a CNI, mais de 1/3 das fábricas brasileiras acham que vão exportar menos nos próximos dias devido à crise da covid-19


postado em 09/07/2020 10:37

(foto: Divulgação/Governo do Paraná)
(foto: Divulgação/Governo do Paraná)
A pandemia do novo coronavírus segue afetando negativamente as exportações da indústria brasileira. Pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) revela que 57% das empresas brasileiras tiveram suas exportações reduzidas pela covid-19 entre abril e maio e 36% acreditam que continuarão exportando menos por conta disso nos próximos 60 dias.

"O impacto da pandemia no comércio exterior do Brasil ainda é forte. Entre as empresas que tiveram queda nas exportações, 42% disseram que a redução foi de mais de 50% do valor exportado", revelou o gerente de negociações internacionais da CNI, Fabrizio Panzini.

De acordo com Panzini, o baque reflete a crise mundial provocada pela pandemia de covid-19. "Com a crise, as cadeias produtivas acabaram tendo menor demanda e isso acaba gerando uma menor produção", lembrou. Mas essa redução também acabou sendo influenciada pelo encarecimento do frete, que subiu devido às restrições às viagens internacionais; e à volatilidade do dólar, que segue instável devido ao receio dos investidores diante da pandemia.

E esse tombo das exportações preocupa por diversos motivos. Primeiro, porque a exportação representa de 15% a 18% da produção industrial brasileira, que também sofreu reduções internamente. E, depois, porque a redução das exportações tem sido sentida sobretudo nos parceiros comerciais da América Latina, como Argentina, Chile, Bolívia e México, e nos Estados Unidos.

"Isso indica que nessas regiões a pandemia está mais forte e está impactando a atividade econômica de forma mais intensa. E isso é ruim devido ao conteúdo das exportações. É para essas regiões que o Brasil vende mais bens industrializados, que têm um impacto maior na cadeia econômica, afetam mais a produção e o emprego", explicou Panzini.

Ele acredita, então, que a maior queda foi sentida nas exportações de automóveis, peças e máquinas, que são muito consumidas em mercados como a Argentina. Mas também pode ter havido um impacto nas exportações de eletrônicos, materiais elétricos, produtos químicos, vestuário, papel e celulose.

Por outro lado, como tem reforçado o ministro da Economia, Paulo Guedes, as empresas do agronegócio têm sentido menos o impacto da pandemia. Algumas têm até ampliado as exportações para a China.
 
 

Importações


Da mesma forma, as fábricas brasileiras passaram a importar menos devido à crise provocada pela pandemia de covid-19.  Segundo a CNI, 70% das empresas consultadas pela pesquisa importaram menos em abril e maio e 36% pretendem continuar importando menos nos próximos 60 dias.

Nas importações, contudo, as maiores reduções foram sentidas nas negociações com a China (58%) e com os Estados Unidos (29%). Ou seja, mercados que, segundo a CNI, são estratégicos porque fornecem muitos insumos para a produção industrial brasileira. No início da pandemia, por exemplo, diversas empresas de eletrônicos tiveram que paralisar a produção devido à falta das peças produzidas na China.

Muitas vezes, lembra Panzini, também sai dos Estados Unidos muitas máquinas e equipamentos utilizadas para os novos investimentos nacionais.
 
 

Preocupação

 
O gerente da CNI diz que a preocupação com o impacto da covid-19 no comércio exterior continua no processo de retomada das atividades econômicas. E o principal pleito do setor exportador é que o governo fique atento a práticas desleais de comércio e competição, como subsídios e dumping, que possam ser adotadas por outros países em uma tentativa de estimular as próprias economias depois da pandemia. "É preciso estar atento para que a indústria nacional não sofra com importações que não cumprem com a concorrência", destaca Panzini.

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