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Correio Braziliense

Mourão alega distorção no entendimento e pede dinheiro a investidores

Em reunião virtual com gestores de fundos internacionais, o vice-presidente Hamilton Mourão e ministros tentam limpar imagem arranhada do Brasil em relação a políticas ambientais do país


postado em 09/07/2020 12:38 / atualizado em 09/07/2020 15:08

(foto: SERGIO LIMA/AFP)
(foto: SERGIO LIMA/AFP)
Com a imagem arranhada em relação às políticas ambientais do país, sobretudo entre investidores estrangeiros, o governo de Jair Bolsonaro precisou dar explicações sobre as medidas de preservação da Amazônia adotadas a gestores de fundos internacionais. A videoconferência, realizada nesta quinta-feira (9/7), foi motivada por uma carta manifestando preocupações globais   relacionadas ao desmatamento. Para o governo, o que havia era “distorção no entendimento dos investidores” sobre vários temas, por isso, aproveitou a reunião virtual para pedir dinheiro aos gestores dos fundos. 

O vice-presidente Hamilton Mourão, coordenador do Conselho da Amazônia, e vários ministros tiveram de dar detalhes sobre a legislação de mineração em terras indígenas, o plano de preservação da cobertura vegetal de todo o Brasil, o projeto de regularização fundiária e os acordos comerciais. “Eu os convidei a participar do esforço do governo brasileiro, se juntando ao financiamento”, disse Mourão. Os dois principais financiadores do Fundo Amazônia, Noruega e Alemanha, deixaram de aportar recursos no ano passado. “Iniciamos novas conversas com os dois países e estamos aguardando o visto bom”, declarou.

Acompanhado dos ministros da Casa Civil, Braga Netto, das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina, das Comunicações, Fabio Faria, do Meio Ambiente, Ricardo Salles, e do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, Mourão expôs dados relativos à Operação Verde Brasil 2 na Amazônia. “Na conversa, em nenhum momento os gestores falaram de desmatamento legal ou ilegal, eles nem sabem a diferença. Falamos sobre os incêndios, por isso explicamos sobre a operação, que começou em maio. Foi um início atrasado para o desmatamento, mas correto para os incêndios”, reconheceu.

O ministro Salles explicou que o decreto para moratória total dos incêndios por 120 dias na Amazônia e no Pantanal e controlada nos demais biomas está pronto. “Deve ser assinado na próxima semana”, disse. Salles ressaltou projetos como Floresta Mais, de pagamento por serviços ambientais, “que leva R$ 500 milhões para quem adota boas práticas”. “Nos colocamos à disposição para eles participarem do esforço. No programa Adote um Parque, há 132 unidades na Amazônia. Eles podem passar a apoiá-las financeiramente. A parceria com o setor privado será muito bem-vinda”, disse. 

Tereza Cristina destacou que houve uma distorção no entendimento da MP 910, que caducou e agora é o PL 2633, sobre regularização fundiária.  “Eles queriam saber se o PL realmente se for aprovado aumentaria o desmatamento da Amazônia. Pelo contrário, deixamos claro que isso dará nome às terras e os donos dos títulos terão de cumprir as regras do governo, com maior controle da região”, destacou.

Sobre a imagem do Brasil lá fora, o ministro Ernesto Araújo disse que os acordos comerciais são vistos como instrumentos que agravariam os desmatamento. “Isso é uma distorção. Falta de informação. Existe equívoco da imagem particularmente na Europa”, justificou.


Desmonte


Mourão também disse que o atual governo não é responsável pelo desmonte das estruturas de fiscalização. “Herdamos isso, com restrições orçamentária, proibição de concurso público, essas críticas não estão sendo justas”, sustentou. “Nós recebemos o Ibama e ICMBio com os quadros reduzidos à metade. Mesmo com excesso de funcionários em outras áreas, a legislação não permite que a gente mande fazer um curso para torná-los fiscais”, explicou.

Apesar das desculpas dos integrantes do governo, os investidores, em nenhum momento, se comprometeram com políticas de qualquer natureza. “Eles querem ver resultados. Podemos mostrar redução do desmatamento. Com continuidade de operações repressivas e demais pilares das nossas políticas”, disse Mourão.


Fritura


Indagado sobre o processo do Ministério Público Federal, que pede seu afastamento do MMA, Ricardo Salles ignorou a pergunta e apenas elencou uma série de medidas da pasta. “A política anti ambiental não é verdade. O governo contratou 3 mil brigadistas para contribuir no combate às queimadas. Algo parado há 10 anos no Brasil, retomamos o sistema de resíduos sólidos. O marco do saneamento, deixado para trás por vários governos, foi aprovado no governo Bolsonaro, assim como o Protocolo de Nagoya, o programa Lixão Zero, o combate do lixo no mar. O governo age numa linha coerente de desenvolvimento e preservação, levando em consideração as pessoas que vivem nessas regiões”,disse.

Questionado sobre a permanência de Salles no governo, Mourão disse que o poder é do presidente Bolsonaro. “Vice-presidente não pertence à cadeia de comando. O Salles tem confiança total do Bolsonaro e a minha também. Deixo claro: todos nós estamos sujeitos a crítica, não somos infalíveis, mas parcela das críticas são injustas”, reiterou.

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