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Correio Braziliense

Preços avançam 0,26% após dois meses de deflação

Inflação brasileira foi puxada para cima pelos alimentos e pelos combustíveis em junho


postado em 10/07/2020 09:51 / atualizado em 10/07/2020 09:56

(foto: Divulgação/Agência Brasil)
(foto: Divulgação/Agência Brasil)
Após dois meses consecutivos de deflação, o Brasil voltou a registrar alta do nível geral de preços. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a inflação avançou 0,26% em junho, puxada pelos alimentos e pelos combustíveis.

A inflação brasileira registrou variações negativas em abril (-0,31%) e maio (-0,38%) deste ano por conta das restrições ao consumo impostas pelas medidas de distanciamento social da pandemia do novo coronavírus. Porém, começou a reagir em junho devido à retomada gradual de algumas atividades, mas também devido ao reajuste da gasolina e à alta do dólar. E, por isso, fechou o mês de junho a 0,26%, próximo das expectativas do mercado.
 
 

Alimentos


Segundo o IBGE, a principal contribuição desse índice continua vindo do grupo de alimentação e bebidas. Os preços desses grupos não pararam de subir na pandemia e, entre maio e junho, aceleram de 0,24% para 0,38%. A alta foi puxada pela alimentação no domicílio, que subiu 0,45% influenciada pelo aumento de produtos como carnes (1,19%), leite longa vida (2,33%), arroz (2,74%), feijão-carioca (4,96%) e queijo (2,48%).

“As medidas de isolamento social, que fizeram as pessoas cozinharem mais em casa, por exemplo, ainda estão em vigor em boa parte do país. Isso gera um efeito de demanda e mantém os preços em patamar mais elevado”, explicou o gerente do IPCA, Pedro Kislanov.

Mas também houve uma aceleração na alimentação fora do domicílio (0,22%), por conta do aumento dos lanches (1,01%), que atualmente são pedidos principalmente pelo delivery.
 
 

Combustíveis


Outra contribuição importante para a inflação de junho veio do grupo de transportes. O segmento estava registrando índices negativos há quatro meses consecutivos, devido à redução da demanda e da queda dos preços internacionais de petróleo observados na quarentena. Porém, entre maio e junho, variou de -1,9% para 0,31%. A alta reflete, sobretudo, o aumento da gasolina (3,24%), que sofreu diversos reajustes no mês passado devido à recuperação dos preços do petróleo.

Também houve altas do etanol (5,74%), gás veicular (1,01%) e óleo diesel (0,04%). Por isso, os combustíveis como um todo subiram 3,37%, ante deflação de -4,56% registrada em maio. “Houve uma alta nos preços dos combustíveis que chegou nas bombas e impactou o consumidor final. Isso alterou o grupo de Transportes e influenciou no IPCA”, lembrou Kislanov.

Já as passagens aéreas continuaram registrando com um índice negativo. O item havia ficado 27,14% mais barato em maio e caiu mais 26,01% em junho. E o transporte por aplicativo, que havia registrado alta de 5% em maio, agora teve uma variação negativa de 13,95%.
 
 

Outros produtos


Além disso, contribuiu de forma significativa para o avanço da inflação em junho os artigos de residência. É que esse grupo apresentou a maior variação positiva do mês: 1,30%. A alta foi puxada pelo encarecimento dos eletrodomésticos e equipamentos (2,92%) e dos artigos de tv, som e informática (3,80%), que têm sido impactados pela alta do dólar, já que têm insumos importados.

Mas também puxaram a inflação para cima no mês passado os grupos de saúde e cuidados pessoais (0,35%), comunicação (0,75%), educação (0,05%) e habitação (0,04%). Já os grupos de vestuário (-0,46%) e despesas pessoais (-0,05%) continuaram registrando queda de preços.
 
 

Acumulado


Com o avanço de 0,26% em junho, a inflação oficial brasileira passa a acumular alta de 0,1% neste ano e de 2,13% nos últimos 12 meses. Os números são baixos diante do histórico brasileiro e apontam para uma inflação abaixo da meta estipulada pelo Banco Central para este ano, que é de uma inflação de 4%, com um intervalo de tolerância de 1,5 pp para cima ou para baixo. Porém, são mais altos que o registrado anteriormente, após os dois meses de deflação da pandemia de covid-19: -0,16% e 1,88%, respectivamente.

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