Economia

Guedes pede ajuda para preservação da Amazônia

Em cúpula da OCDE, ministro garantiu o Brasil sabe da necessidade de preservar o meio ambiente, mas disse que é difícil monitorar toda a floresta já que "a Amazônia é maior que a Europa"

MARINA BARBOSA
postado em 13/07/2020 13:23
 (foto: Divulgação/Governo Federal)
(foto: Divulgação/Governo Federal)
Paulo GuedesO ministro da Economia, Paulo Guedes, disse nesta segunda-feira (13/07) que o Brasil sabe que precisa preservar melhor o meio ambiente e os povos indígenas. Porém, pediu compreensão e ajuda da comunidade internacional para a preservação da floresta amazônica. "A Amazônia é maior que a Europa. É difícil vigiar tudo, monitorar tudo", alegou.

Guedes falou sobre a questão ambiental, que tem incomodado ambientalistas e investidores de todo o mundo, durante a Cúpula Ministerial sobre Inclusão Social da OCDE para a América Latina e o Caribe. Ele tratou dessa questão pouco depois de o secretário-geral da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), Ángel Gurría, apontar como um dos desafios da América Latina a tarefa de "alinhar as políticas de estímulo econômicas com as necessidades ambientais, de proteção da diversidade e do meio ambiente".

"Sabemos que o Brasil é um país com enormes riquezas naturais, que temos a Amazônia, que temos minerais, que temos capacidade de produção agrícola. Sabemos disso e temos a matriz energética mais limpa do mundo. Ninguém preservou tanto sua matriz energética ou sua própria riqueza de recursos naturais como o Brasil. Mas sabemos que temos que reduzir os efeitos sobre o meio ambiente", retrucou Paulo Guedes.

O ministro da Economia insistiu que o Brasil preservou seu ambiente e seus povos indígenas melhor que outros países, "onde houve guerras de extermínio". Afirmou que o Brasil "alimenta o mundo todo, preservando seu meio ambiente". E voltou a dizer que parte das críticas sobre a preservação da Amazônia parte de políticas protecionistas de outros países, que condenam o Brasil para poder continuar com suas próprias produções agrícolas.

Porém, reconheceu que é preciso cuidar melhor do meio ambiente, sobretudo da Amazônia. "O Brasil sabe da importância e da preservação do meio ambiente, da importância do crescimento sustentável, não só do ponto de vista fiscal, mas também do ponto de vista ambiental. Sabemos disso. [...] Se há excessos e erros, corrigiremos. Seremos, ou melhor dizendo, não aceitaremos o desmatamento ilegal e a exploração ilegal de recursos", afirmou Guedes, aparentemente lendo esse último trecho, durante a cúpula da OCDE.

O ministro pediu, por sua vez, compreensão e apoio na preservação da Amazônia. "O país é continental. A Amazônia é maior que a Europa. É difícil vigiar tudo, monitorar tudo. É um país que ainda tem carências em educação e saneamento. Como conseguimos controlar todas as nossas fronteiras? Como preservar toda a selva amazônica sem ajuda? Queremos ajuda, queremos compreensão. Reconhecemos a importância da preservação ambiental, mas sabemos também que somos o povo que melhor preserva seus recursos ambientais até hoje. Queremos o crescimento sustentável, fiscal e a ambientalmente. E estamos abertos à cooperação, à ajuda nessa saída da crise", discursou.

Ele pontuou, por sua vez, que essa ajuda não pode ameaçar a soberania brasileira na Amazônia, como já reclamou o presidente Jair Bolsonaro em relação à França. "Temos um compromisso com o nosso povo, um compromisso do presidente durante a sua campanha presidencial, de soberania sobre a nossa região amazônica. Queremos ajuda, mas não aceitamos falsas narrativas sobre o que aconteceu no Brasil nas últimas décadas", alertou.

[SAIBAMAIS]Para isso, o ministro ressaltou o interesse do governo brasileiro de entrar na OCDE. "Precisamos de cooperação. Por isso, queremos entrar na OCDE, queremos melhores padrões, cooperação, integração. Somo um planeta", pediu, dizendo que o mundo deve sair da pandemia de covid-19 de mãos dadas.

Ángel Gurría reconheceu, em seu discurso, a necessidade de se trabalhar e, conjunto na saída da pandemia do novo coronavírus. Porém, não comentou a vontade do governo brasileiro de aderir à OCDE.

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