Economia

Diretor do Banco Central descarta antecipação do lançamento do PIX

João Manoel Pinho de Mello diz que cronograma está mantido e ferramenta terá várias funcionalidades, incluindo, pagamento entre pessoas e de tributos, de forma instantânea, com custos muito mais baixos do que os atuais do mercado

Rosana Hessel
postado em 13/07/2020 16:48
 (foto: Raphael Ribeiro/BCB)
(foto: Raphael Ribeiro/BCB)
João Manoel Pinho de Mello diz que cronograma está mantido e ferramenta terá várias funcionalidades, incluindo, pagamento entre pessoas e de tributos, de forma instantânea, com custos muito mais baixos do que os atuais do mercadoO diretor de Organização do Sistema Financeiro e Resolução do Banco Central, João Manoel Pinho de Mello, descartou a qualquer antecipação do lançamento do PIX, plataforma de pagamentos instantâneos coordenada pela autoridade monetária que deve iniciar as operações em novembro. Segundo ele, o cronograma está mantido.

;No dia 16 de novembro o PIX será lançado para valer, e para várias funcionalidades;, afirmou Pinho de Mello, nesta segunda-feira (13/07), durante videoconferência realizada pelo jornal Valor Econômico. Segundo o técnico, haverá uma abertura suave antes, "em um ambiente mais controlado", para ver "se está tudo funcionando;.

Dados do BC revelam que existem 982 em processo de adesão à plataforma. O diretor contou que essa ferramenta em construção que está sendo coordenada pelo BC vai funcionar como uma espécie de ;mercado; onde pessoas e empresas poderão vender seus produtos e receber por meio de uma forma de pagamento mais barata e mais rápida do que as atuais meios de pagamentos. A plataforma vai permitir pagamentos entre pessoas e também a quitação de tributos da União, com liquidação instantânea.

;A cada 10 mensagens no PIX, o prestador pagará um centavo de real. É muito barato ele fique mais baixo para todos os prestadores de serviços e fique mais barato para todos;, garantiu. Segundo ele, o PIX vai funcionar 24 horas por dia, ao contrário da tradicional TED eletrônica, que tinha o mesmo principio, mas acabou sendo limitada pelo horário comercial dos bancos.

;O PIX vai funcionar todos os dias do ano, sem interrupção. Ou seja, se você tiver uma conta de luz cortada por falta de pagamento às 20h, poderá pagar a fatura pelo PIX e a liquidação será imediata e não vai precisar esperar dois dias para confirmar o pagamento e solicitar o religamento;, explicou Pinho de Mello.

[SAIBAMAIS]O diretor do BC garantiu que a plataforma será desenhada em termos de segurança regulatória, com garantia de sigilo dos dados dos clientes, e que ficará sob a responsabilidade dos operadores que serão responsáveis pelo pagamento, ou seja, as instituições bancárias ou participante que autenticar o pagamento.

Polêmica com WhatsApp

Ao ser questionado pela polêmica suspensão do meio de pagamento via Whatsapp, Pinho de Mello reconheceu que há as críticas sobre a decisão, mas explicou que o BC não vai oferecer o serviço, apenas a plataforma em que as operações deverão ocorrer com segurança, ;dentro de um ambiente regulado;, para a segurança dos clientes. Além disso, destacou que a medida teve como objetivo de garantir as mesmas condições de participação no sistema, porque a autoridade monetária identificou que a ferramenta envolve apenas três bancos, uma credenciadora e duas bandeiras de cartão de crédito. ;O BC quer saber se o sistema está disponível para a participação de todos ou ele foi construído só para essas instituições. Por isso tivemos a decisão de suspender para que o pedido de autorização entre no guichê, como os demais entes regulados;, afirmou.

O diretor contou que o custo também chamou a atenção porque vai na contramão da agenda do BC, que vem trabalhando para a redução dos custos no mercado financeiro, buscando incentivar a concorrência e redução da concentração bancária. ;O que soubemos é que para o lojista ou para o restaurante, o custo era de quase 4%. Note que o BC e o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) demoraram muitos anos para que as taxas caissem para haver competição de fato;, afirmou ele, citando que a média giram em torno de 1,7%, para o crédito, e de 0,9% para o débito. ;É claro que isso (uma taxa de 4%) chama a atenção. O BC quer garantir que todos possam participar. Os entes regulados, Visa e Mastercard, já colocaram o pedido de autorização e vamos analisar. Precisamos garantir para as informações cheguem de maneira formal e com todas as informações relevantes;, acrescentou.

O diretor do BC reconheceu que a instituição está olhando para os avanços tecnológicos e procura adaptar as regras, mas os novos entrantes, como as big techs (grandes empresas de tecnologia, como Facebook, dona do WhatsApp, e Google) nesse mercado de meio de pagamentos, vão precisar também se adaptar. ;Os desafios regulatórios de hoje são diferentes dos desafios dos anos 1990. Hoje, são outros. E as big techs são um vetor de indução de competição e de criação de valor para a sociedade. Mas a gente precisa garantir que elas também obedeçam as regras e a regulação vai se adaptar a isso;, disse.

Pinho reforçou que, além do PIX, o Open Banking, que também deverá ser lançado neste ano, "são os dois pilares" da agenda BC# para melhorar a competitividade no mercado financeiro. ;Essas duas ferramentas visam criar ambiente sobre o qual ponto de vista concorrencial e barata em termos de produtos financeiro;, destacou.

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