Economia

Efeitos do auxílio emergencial e do crédito estão na mira do Copom

Comitê de Política Monetária deve avaliar o impacto dessas medidas na atividade econômica brasileira para decidir o rumo da taxa básica de juros em agosto

Marina Barbosa
postado em 14/07/2020 10:20
 (foto: Divulgação/Governo Federal )
(foto: Divulgação/Governo Federal )
Auxílio emergencialDividido sobre os próximos passos da taxa básica de juros (Selic), o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) vai analisar o impacto da pandemia, das medidas emergenciais de crédito e de programas de transferência de renda como o auxílio emergencial na atividade econômica brasileira para definir se a Selic será reduzida novamente ou continuará nos atuais 2,25% ao ano.

A mira da próxima reunião do Copom, que está marcada para os dias 04 e 05 de agosto, foi apresentada pelo presidente do BC, Roberto Campos Neto, a um grupo de investidores nesta terça-feira (14/07). "Para as próximas reuniões, o Comitê vê como apropriado avaliar os impactos da pandemia, do conjunto de medidas de incentivo ao crédito e recomposição de renda", afirma a apresentação levada por Campos Neto para uma reunião com investidores do Citibank.

A apresentação ainda reforça que "um eventual ajuste futuro no grau de estímulo monetário será residual". Ou seja, que um novo corte da Selic, se for aprovado pelo Copom, será pequeno. Afinal, o Comitê já cortou a taxa básica de juros da economia brasileira em três ocasiões diferentes desde o início da pandemia do novo coronavírus. Mas, agora, deve levar em conta a necessidade de estímulos para o enfrentamento da crise, mas também o impacto fiscal desses ajustes de política monetária.

"O Copom entende que, neste momento, a conjuntura econômica prescreve estímulo monetário extraordinariamente elevado, mas reconhece que o espaço remanescente para a utilização de política monetária é incerto e deve ser pequeno", reforçou a apresentação de Campos Neto. "O Comitê reconhece que a variação de seu balanço de riscos aumentou e que mais informações sobre a evolução da pandemia, assim como um declínio das incertezas fiscais, serão essenciais para determinar seus próximos passos", reiterou o presidente o BC.

Nessa segunda-feira, Roberto Campos Neto já havia admitido a outro grupo de investidores que o Copom está dividido sobre a condução da política monetária e da Selic. Parte do Comitê acredita que é preciso cortar novamente a taxa básica de juros, já que a inflação está abaixo da meta em 2020 e também em 2021 devido à crise provocada pela pandemia do novo coronavírus. Outros integrantes do Copom, contudo, são mais cautelosos e dizem que é preciso esperar um pouco mais para avaliar o impacto das últimas medidas de enfrentamento ao coronavírus na atividade econômica.

O diretor de Política Econômica do BC, Fabio Kanczuk, por exemplo, já lembrou que ajustes de política monetária como um corte de juros demandam tempo para fazer efeito. Ele também já afirmou que há alguns riscos "altistas" que podem levar a inflação para cima do cenário básico desenhado pelo Copom no próximo ano.

Kanczuk acredita que a inflação de 2021 pode ficar acima dos 3,2% calculados pelo Comitê por conta de impactos que ainda não podem ser mensurados pelos economistas, como o efeito que o auxílio emergencial ainda pode ter no consumo das famílias brasileiras nos próximos meses e as expectativas dos agentes financeiros sobre a sustentabilidade fiscal do Brasil no pós-pandemia.

[SAIBAMAIS]Por conta disso, o mercado também está dividido sobre o rumo da Selic. Um grupo acredita que o BC deve reduzir os juros básicos para 2% já em agosto ou na reunião de setembro. E outro grupo avalia que a Selic continuará nos atuais 2,25% até o próximo ano. Segundo o Boletim Focus, o grupo que aposta em uma Selic de 2% ao fim do ano, contudo, ainda é majoritário.

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