Economia

Diretora do Banco dos Brics explica financiamento do auxílio emergencial

Claúdia Prates explica mais sobre o empréstimo do Bloco

Marina Barbosa
postado em 21/07/2020 06:00

uma mulher sorrindoO Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), o Banco dos Brics, aprovou um financiamento de US$ 1 bilhão para o Brasil. O crédito vai ajudar o governo federal a bancar as próximas parcelas do auxílio emergencial de R$ 600 e virá com mais US$ 4 bilhões obtidos junto a organismos internacionais para reforçar as políticas de assistência social e emprego na pandemia do novo coronavírus.

Seis perguntas para:

Claúdia Prates, diretora-geral do Escritório Regional das Américas do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), o Banco dos Brics

Por que esse financiamento de US$ 1 bilhão é inédito?

O NDB é focado em infraestrutura. Mas dado os efeitos da pandemia, (o banco) aprovou uma linha emergencial de US$ 10 bilhões para os seus cinco países membros, sendo US$ 1 bilhão para saúde e proteção social; e US$ 1 bilhão para a recuperação da economia, numa segunda fase. Antes disso, o maior projeto do Brasil havia sido de US$ 500 milhões.

O financiamento já havia sido aprovado para outros Brics. Como foi a negociação com o Brasil?

O projeto emergencial da China foi em saúde; o da Índia foi um mix entre saúde e proteção social; e o da África do Sul, também. O Brasil escolheu aportar em proteção social porque já tinha um orçamento de saúde robusto.


O que ainda precisa ser feito para liberar o crédito?

A partir da aprovação do banco, parte para a aprovação do Senado, a assinatura do contrato e a liberação do recurso. Então, depende do Congresso agora.

O Brasil já está negociando o crédito de US$ 1 bilhão disponível para a retomada econômica?

Começamos essa discussão há pouco tempo, já que acabamos de fechar a primeira fase. Mas estamos vendo como podemos apoiar essa retomada. Um fator importante seriam as pequenas e médias empresas. Avaliamos fazer um empréstimo para um aporte em um fundo de garantia para essas empresas, mas o governo que escolhe o projeto que acha que pode agregar melhor à sua retomada.


Há mais projetos do Brasil no NDB?

A gente espera aprovar mais sete projetos este ano, totalizando cerca de US$ 2 bilhões. É o projeto emergencial e o restante de infraestrutura, da carteira que o banco já vinha negociando com os governos para incrementar a infraestrutura do país. Há, por exemplo, um projeto de saneamento com a Sabesp e um projeto de mobilidade urbana em Curitiba, todos com garantia soberana.

Marcos Troyjo assumiu recentemente a presidência do NDB. Isso deve dar contribuir com o crescimento dos financiamentos brasileiros?

Parte da recuperação econômica virá pela infraestrutura e o banco está preparado para financiar isso. Já temos uma carteira sendo construída ao longo do tempo, tanto que a carteira do Brasil já está em 13% e vai crescer mais este ano.

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