Economia

BC: Dívida bruta encerra junho em 85,5% do PIB e passa de R$ 6 tri

Dados do Banco Central mostram que aumento do endividamento público cresceu R$ 653 bilhões no semestre e deficit primário consolidado saltou quase 7000% no acumulado dos seis primeiros meses

Rosana Hessel
postado em 31/07/2020 10:16
Banco CentralO aumento expressivo dos gastos do governo com medidas para o combate aos efeitos econômicos da pandemia de covid-19 fizeram a dívida pública bruta do governo geral encerrar o mês de junho em 85,5% do Produto Interno Bruto (PIB), alcançando a marca histórica de R$ 6,153 trilhões.

Em maio, esse indicador estava em 81,9% do PIB e somava R$ 5,929 trilhões. Vale lembrar que, em 2019, a dívida bruta tinha recuado pela primeira vez desde 2013 e encerrou dezembro a 75,8% do PIB, somando R$ 5,5 bilhões. Logo, o crescimento desse importante indicador de solvência do país no acumulado do semestre foi de R$ 653 bilhões, ou seja, 9,7 pontos percentuais.

Os dados fazem parte da nota de estatísticas fiscais do Banco Central divulgada nesta sexta-feira (31/07). No comunicado, o BC informou que esse aumento de 9,7 pontos percentuais (p.p.) da dívida bruta foi decorrente de emissões líquidas do governo, de 5,3 pontos percentuais, da incorporação de juros nominais equivalentes a 2,2 pontos percentuais, da desvalorização cambial acumulada no período de 1,7 p.p. e do efeito de 0,7 p.p.na variação do PIB nominal.

Enquanto isso, a dívida pública líquida também registrou expansão, atingindo patamares históricos. Passou de 64,1% para 67,5% do PIB, entre maio e junho, totalizando R$ 4,853 trilhões.

Rombo fiscal salta quase 7.000%


Conforme os dados do BC, o resultado fiscal do setor público consolidado mostra que o deficit primário do setor público consolidado atingiu R$ 402,7 bilhões no primeiro semestre, ante o saldo negativo de R$ 5,7 bilhões, no mesmo período do ano anterior. Essa evolução revela um salto expressivo de 6.964% em relação aos primeiros seis meses de 2019.

Em junho, o resultado primário do setor público ficou negativo em R$ 188,7 bilhões em junho. Pelas contas da autoridade monetária, o deficit primário do governo central (que inclui Tesouro Nacional, Banco Central e Previdência Social, ficou em R$ 195,2 bilhões. Enquanto isso, governos regionais e empresas estatais, tiveram superavit primário de R$ 5,8 bilhões e de R$ 719 milhões, respectivamente. No acumulado em doze meses encerrados em junho, o rombo das contas do setor público ficou em R$ 458,8 bilhões, o equivalente a 6,38% do PIB.

O resultado nominal do setor público consolidado, que inclui o resultado primário e os juros nominais apropriados, ficou negativo em R$ 210,2 bilhões no mês de junho. No acumulado em 12 meses, o déficit nominal alcançou R$ 818,6 bilhões, ou 11,38% do PIB, elevando-se 2,56 pontos percentuais do PIB em relação ao déficit acumulado até maio.

[SAIBAMAIS]A conta de juros nominais do setor público consolidado, apropriados por competência, somaram R$ 21,5 bilhões em junho, acima dos R$ 17,4 bilhões computados no mesmo mês de 2019. Nos últimos doze meses, os juros nominais atingiram R$ 359,8 bilhões (5,0% do PIB), comparativamente a R$ 357,3 bilhões, ou 5,07% do PIB, no acumulado até junho do ano anterior.

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