Economia

Apesar de prejuízo de R$ 2,7 bilhões, Petrobras comemora fluxo de caixa

Presidente da estatal, Roberto Castello Branco, diz que, diante do trimestre desafiador, conseguir caixa livre de US$ 3,4 bilhões pode ser considerada uma "grande vitória"

Correio Braziliense
postado em 31/07/2020 16:52
Roberto Castello Branco, presidente da PetrobrasApós reportar prejuízo de R$ 2,7 bilhões no segundo semestre, acumulando perdas de R$ 51,2 bilhões em 2020, a Petrobras “venceu” sem queimar caixa, disse, nesta sexta-feira (31/7), o presidente da empresa, Roberto Castello Branco. “Tivemos um segundo trimestre muito desafiador para economia global e para indústria do petróleo. O mês de abril é para ficar para sempre na memória, com significativa contração da demanda, colapso de preços e alta nos custos de frente. Mas, se caixa é rei, para nós caixa foi Deus. Nós vencemos. Não houve queima de caixa”, afirmou.

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Segundo o executivo, a companhia foi capaz de reduzir o endividamento líquido. “O fluxo de caixa alcançou US$ 5,5 bilhões de dólares e o caixa livre, descontados investimentos e custos, ficou em US$ 3,4 bilhões. Grande vitória”, ressaltou. Castello Branco estimou que a Petrobras terá uma recuperação capaz de sair da crise melhor do que estava em fevereiro, antes da pandemia. “Continuamos num esforço de ajuste para sairmos vencedores da crise, acelerando a transformação digital, trabalhando nas inovações tecnológicas, com exploração a custos mais baixos”, pontuou.

Para o presidente da estatal, o que indica o grau de saúde de uma empresa é sua capacidade de gerar caixa, o resto “é contábil”. “Conseguimos gerar caixa e pré-pagar US$ 2,5 bilhões da operação de compromissadas assumida em março, quando a crise começou a acelerar. Isso diminui o endividamento e reduz o custo com pagamento de juros”, assinalou. A liquidez segue disponível nas linhas de crédito que a companhia pode voltar a sacar. “Coisa que não temos intenção de fazer, porque faremos a liquidação integral até o fim do ano”, garantiu.

Colchão de liquidez


Questionado se a Petrobras não teria recorrido excessivamente a empréstimos, Castello Branco sustentou que a pior situação “é ser pego com caixa insuficiente”. “A medida feita por empresas responsáveis foi recorrer a linhas de financiamento para ter colchão de liquidez para enfrentar a crise. O endividamento excessivo ainda existe como herança de um passado tenebroso. A Petrobras já foi a empresa mais endividada do mundo. No ano passado, liquidamos US$ 24 bilhões e continuamos o processo em janeiro e fevereiro. Paramos em março, mas já voltamos e repomos US$ 3,5 bilhões”, justificou
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Segundo ele, o objetivo é chegar a um endividamento de US$ 60 bilhões. A petroleira fechou o segundo trimestre com dívida bruta de US$ 91,2 bilhões. “Temos US$ 30 bilhões para reduzir ainda. Agora, o prazo médio é superior a 10 anos, então o risco de refinanciamento é baixo”, disse. A taxa média dos empréstimos caiu de 7% a 8% ao ano para 5,6% anuais, acrescentou.

“Capacidade de financiamento não cai do céu. Requer redução de custos e ganhos de produtividade. Graças ao trabalho que estamos fazendo, fomos capazes de adquirir Búzios, um ativo de classe mundial, e passar pela crise com relativa tranquilidade”, concluiu.

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